domingo, 22 de janeiro de 2017

ASSASSINO A PREÇO FIXO: O ANTIGO E O ATUAL


ASSASSINO A PREÇO FIXO: O ANTIGO E O ATUAL






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Começarei a fazer um comparativo e filmes antigos que tiveram suas versões atualizadas, mudando atores e algo do roteiro. Hoje temos aqui o Assassino a preço fixa (em inglês Mechanic, Mecânico), que em Charles Bronson fazia tremer pela inteligência e astúcia do personagem, bem como de seu lado refinado em residência. Já o atual, com o ator de Carga Explosiva, Jason Stathan, somou alguma luta corporal e característica do ator e do cinema atual, que além de tiros não deixa de acrescentar os socos e chutes com uso ainda de objetos, em golpes estilo Jackie Chun. O roteiro ficou um tanto parecido com o filme antigo, apesar de no final explicarem as coisas, o que no antigo era subentendido. De qualquer forma são dois filmes que mostram a rotina de um matador de aluguel.







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Tanto no antigo quanto no novo, o filme se baseia na história de um matador de aluguel que precisa assassinar um grande amigo, e depois o filho desse amigo rico, o busca para aprender o ofício de Mechanic, ou matador de aluguel, e assim descobre no meio das tantas que seu mestre é o assassino do pai, e por fim deseja a vingança. O final é surpreendente e sai um pouco dos clichês de filmes que geralmente se apresentam. No antigo o jovem demonstra frieza ao ver sua irmã tentar suicídio cortando os pulsos, e já no novo ele briga com homem de rua e luta com outro sujeito bem mais forte que ele, igualmente mecânico. Já no antigo o rapaz andava em festas e demonstrava conhecimento em áreas diversas, como na habilidade em pilotar motos. Cena de perseguição de motos é impagável no filme antigo, bem como a do trator empurrando carro em precipício, ou das bombas jogadas na estrada.




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Já no novo há umas cenas estranhas, como quando saltam de prédio segurados por cabo de aço, o que mostra ser mais um facão e zoação do filme. O antigo tinha uma seriedade e ar sombrio da época, coisa que o atual não conseguiu reproduzir, e nem se igualar. Também Bronson dá medo só de ver, com seu ar de espião russo, e cara enrugada, o que o ator atual não demonstra possuir. Quanto a mansão ou refúgio onde o assassino estuda e planeja a morte paga por seus clientes, a atual vale pelo toca-disco hi-end (caríssimo...) e sistema valvulado (igualmente), demonstrando o bom gosto do novo personagem.




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Marca que fica no antigo e que no atual não se repediu, é o estudo e parte intelectual do “profissional”. Com Bronson os estudos tinham uma ficha e diversos detalhes das pessoas, procurando as assassinar para que tudo fosse “limpo”, ou parecesse um acidente. Na primeira vítima do novo, um cadeirante, se simulou um assalto de carro, e todos acreditaram na história. Já no antigo os tiros de sniper e luneta eram um meio de se retirar qualquer proximidade ou desconfiança com relação ao trabalho.





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Por fim, a vida pessoal do Mecânico é sempre muito fria e distante, sem amigos ou namoradas. Isso foi repetido quando ele contrata uma garota de programa em balada, que finge ser sua amante. No antigo a moça até lia uma carta de amor, tentando simular também esse afeto com o profissional. Mas o novo aprendiz demonstra ter habilidades com armas e luta corporal, o que o antigo não possuía. Uma analogia muito inteligente do novo é que o ator ou mestre tem um carro que faz manutenção, e assim é também mecânico no sentido usual. Em tudo isso demonstra uma imperturbabilidade digna de um assassino de seita, e uma noção de corporação muito forte, em que a ordem de matar melhor amigo não é questionada. Por fim o empregado vira contra o empregador e as regras são suspensas, interrompendo o maquiavelismo e a ética amoral. Por fim, o filme novo também tem boa perseguição de carro e o final idêntico ao antigo, o que pode trazer admiradores de Bronson para novos títulos que imitem o mesmo.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Filme Inferno e a Divina Comédia de Dante, bem como a filosofia medieval


Filme Inferno e a Divina Comédia de Dante, bem como a filosofia medieval




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Após os sucessos de Código da Vinci, bem como Anjos e Demônios, eis que agora surge a adaptação de mais uma obra de Dan Brown para o cinema: Inferno. Dirigido por Ron Howard, e mais uma vez estrelando Tom Hanks. Semelhante a todo o filme que restringe a informação do livro, bem como amplia com o aspecto visual, pelas belas cidades, igrejas e obras de arte mostradas, resta que se trata de uma história de bomba, daqueles que você espera que exploda ou acabe alguma hora. Mas vale pelas citações de Divina Comédia, bem como da referência do personagem com sua amiga, Robert Langdon como Virgílio procurando a sua Beatriz.
 
 
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De forma diferente a obras anteriores, agora não se trata de uma conspiração ou de religiosos fanáticos os antagonistas, mas sim de um cientista maluco. Ele achou que um vírus, a semelhança de uma peste negra, matando 95% da população mundial faria o planeta melhor. Junto a ele veio ainda a bela namorada, que engana Langdon, seu gênio simbologista, para chegar ao vírus e assim usar da ciência, que alguns dizem imparcial, para destruir o mundo. Langdon sonha com o Inferno de Dante e vê pessoas nos seus tormentos, o ladrão atacado por cobra, o adivinho com a cabeça virada para trás e assim por diante. Filmes que retratam o inferno que podem ser também citados são o “Amor além da vida”, de Rob Williams e um nacional, de Zé do Caixão, o “Delírios de um anormal”. Mas a charada fica meio no ar, quando o protagonista tem de decifrar uma imagem retratando o inferno e não decifra nada, apenas vai procurando lugares em construções antigas.

 
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O que faltou na obra foi alguma referência a sociedades secretas, o que coloria as obras anteriores. Não que não haja na Divina Comédia algo, ou que mesmo Dante não tivesse sido membro de uma ordem secreta. Ele foi, e pelo que lembro, da mesma de Hyeronimus Bosh. Ademais, as cenas de inferno interessantes eram desse artista, e também poderia ser lembrado na obra ou filme. Mas no canto XXV da obra de Dante se pode ver alguma referência maçônica. Também o livro de Dante guarda segredos iniciáticos e esotéricos. Voltando ao filme, esse trata mais uma vez de impasse entre a ciência e a fé, entre a razão humana e a Revelação Divina. Esse seria o encontro de Beatriz, ou reencontro, que foi aludido no filme como o reencontro do professor, já sem memória, com sua amiga acadêmica. Um estudo de arte poderia ser feito com o filme, e nesse sentido usado também para alguns eventos históricos pouco comentados. Sobre o inferno se poderia ver a teologia de Karl Barth, que falsa numa predestinação de Deus para as pessoas no inferno. E de filosofia medieval, poderia se ver algo de Tomás de Aquino e de Agostinho, dentre outros pensadores, sobre o tema do inferno.

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Por fim o filme tem sua bomba com o vírus, e assim segue o mesmo foco de Anjos e Demônios, onde se tem desarmar a bomba e salvar o planeta. Vale pela atuação da bela Felicity Jones (do novo Star Wars), que mostrou uma reviravolta, ao se mostrar em vez de auxiliando o protagonista, uma nova antagonista. A iluminação da cenas foi boa, as locações, bem como efeitos especiais na ação bem moderados. Mesmo com o protagonista descobrindo que seu destino era armado e guiado por drogas que lhe injetaram, o que agrega alguma ficção e conspiração na história. Pelo menos o personagem ensina algo e é um intelectual. Vivemos em um tempo em que os idiotas têm vez, e os eruditos ficam ocultados. Bom sempre lembrar que a liderança é para os líderes, e que a solução de impasses fica para quem é especialista. O filme tem um bom roteiro, por citar algo de Dante, mas deveria falar mais da vida de Dante. De qualquer modo há pelo menos um enfoque cultural e passeio a ver obras de arte, em belas cidades e locais turísticos, em especial Veneza e o local de Stanbul. Também a banda sinfônica deveria tocar algo nas cenas finais. Do mais, algumas diferenças do filme para o livro.