domingo, 1 de novembro de 2015

A “Casa das Coelhinhas” e a reflexão moral e de tipologia


 
Uma coelhinha da Playboy é expulsa da mansão, em espécie de aposentadoria por ter vinte e seis anos. Envolve-se em certas confusões, e bem humorada acaba por colorir essa comédia, que se diferencia de outros filmes do gênero. Revela em muito o poder do feminino, do arquétipo da atração e por fim de uma moral que julga pela aparência. O ponto central está na república de esquisitonas, que a coelhinha transforma, antes de seu fechamento e extinção.

De uma história idealizada pela comediante Anna Faris, que também é a bela protagonista desse filme, em “A casa das Coelhinhas” teve de superar a sua timidez e andar com micro-short e roupas compatíveis com a personagem, bem como em fazer piadas com o universo masculino e mesmo com todo o erotismo. As regras de sedução e conquista também são desmascaradas, bem como os tipos psicológicos, que se desvelam na transformação, quando as integrantes da república Zeta encontram essa madrinha, a qual fará literalmente que ela retirem a armadura emocional. Uma das moças usava armadura ou uma cinta de metal, em realidade. Outra era virgem. Outra tímida ao extremo. São pessoas que vemos em nossa sociedade, anônimas e interessantes. Mas ocultas.
 

O filme conta com a participação dos reais integrantes da mansão da Playboy. Mas o filme tem classificação de 12 anos e mostra bem o universo da estética, já afastado da arte, um tanto banalizado no mero instinto e atração. Aquelas meninas esquisitas acabam conquistando meninos que jamais sonhariam, por mera mudança de comportamento. O behaviorismo transparece. Também a moral vê todas as críticas, quando a própria protagonista busca uma vida mais cultural, estuda e mesmo por conhecer um rapaz certinho, e ajudar um lar de idosos. O filme ainda faz homenagem a cena de Marilyn Monroe no vento do bueiro, onde nessa vez a estrela se queima com o calor.
 
 

Em meio a tipologia e a moral do filme, há a boa produção no que se refere ao figurino, maquiagem e demais adereços femininos. Há frases muito criativas, como a que ela diz: “os olhos são os mamilos do rosto”, onde há algo além do que festas, beijos e jovens. Parece que dois tipos se contrastam: o cerebrotônico, esquizotímido, das moças de Zeta antes da transformação, e o tipo popular, que é aquele que abre as portas e uma nova vida. A sociabilidade parece envolver formas de conquista, e o corpo é um instrumento de prazer, em muitos sentidos. O filme também mostra através do namorado de Shelley que um homem pode superar o macho alfa, que pode ser sensível sem ser gay. Foi mesmo acusado de gay ao não querer pegar a moça em primeiro encontro.

A cena central do filme é a da transformação. Mesmo em bastidores e comentário há comentário nesse sentido. O arquétipo da mulher objeto se vê assim superado, seja pela função democrática que a personagem ganha, seja através da moral ali pregada, da cobrança em relação ao universo feminino. E toda a mulher é mais poderosa que imagina, mais bela e sedutora. Basta retirar suas armaduras e bolha emocional, e assim conquistar seu espaço, não pela mera sedução, mas por inteligência e sabedoria. Mas o filme é muito engraçado e diferente de outros do gênero. E Anna Faris foi muito feliz e inteligente na produção, que supera de longe a mera banalidade e superficialidade.