terça-feira, 22 de julho de 2014

O cinema na opinião de um grande filósofo brasileiro contemporâneo


O cinema na opinião de um grande filósofo brasileiro contemporâneo






Sempre bom encontrar uma boa crítica de cinema. Vemos muitas pessoas comentando os trabalhos da sétima arte, mas poucos com um enfoque mais filosófico. Já comentamos aqui a opinião de Cziczec e agora temos a opinião de um filósofo brasileiro, Cléverson Israel Minikovsky, que já conta com 28 livros e que nos brinda com uma obra de vários volumes, a Summa Philosophica, que conta com 10000 teses, e, da qual tirei um capítulo em específico sobre o cinema. Vale a pena conferir, a obra se encontra em site Clube de Autores. Vejam o capítulo em questão:



CINEMA COMO RELATIVIZAÇÃO DAS TEOLOGIAS



Tese de n° 01.551: O filme do super-homem é uma grande teologia, o super-homem é oriundo de um outro planeta e sua missão é salvar a Terra, uma vez exposto à criptonita fica débil e frágil como qualquer outro ser humano e seu inimigo capital é o criminoso universal Lex Luthor.

 


Tese de n° 01.552: Em O Senhor dos Anéis o que se vê são três tribos, a dos anões, a dos elfos e a dos humanos e sempre se corre o risco de as trevas prosperarem porque a raça humana na pessoa de Ilsiodor perdeu a grande chance de destruir o anel no Morro da Perdição.



Tese de n° 01.553: Em O Conde Drácula, estória que migrou da literatura para o cinema, o Drácula é o nobre que adquire a imortalidade bebendo o precioso Sangue de Cristo e para manter seu defunto corpo vivo precisa sugar o sangue dos humanos para saciar o apetite tal qual morcego, os vitimados pelo vampiro tornam-se vampiros, os vampiros temem crucifixo, alho e água benta, mas só morrem com uma estaca cravada no coração.
 



Tese de n° 01.554: Em Armagedon o que se tem é a prospecção científica de que um meteoro colossal está prestes a atingir a terra e então uma missão realizada por uma equipe norte-americana que incluía desde cientistas altamente gabaritados até débeis mentais e então cava-se um poço quilométrico, deposita-se uma bomba ultra-poderosa no centro do astro e pulveriza-se o mesmo antes de atingir nosso planeta.



Tese de n° 01.555: Indiana Jones num filme quase consegue adquirir para si o Santo Graal, o que lhe daria a imortalidade e noutra ocasião evita que a Arca da Aliança caia nas mãos dos nazistas, o que traduz o mais sagrado dos objetos prestes a cair nas mãos dos mais profanos dos seres humanos.
 
 



Tese de n° 01.556: Em Sociedade Secreta que ilustra a realidade dos skulls se mostra que se é difícil ingressar numa sociedade secreta é impossível dela sair, as regras do mundo interno da sociedade secreta se sobrepõe às regras do mundo exterior, é um universo dentro de outro universo e convive paralelamente com o mundo dos leigos.



Tese de n° 01.557: James Bond é um super-agente inglês que trabalha em prol dos interesses dos Aliados, dirige desde uma motocicleta até um helicóptero ou avião, maneja todo tipo de arma, domina todas as tecnologias de ponta e as técnicas de espionagem, fala dezenas de idiomas, é faixa preta em todas as artes marciais, segue a etiqueta à risca, é elegante e é bem-sucedido sexualmente com todas as mulheres.
 
 



Tese de n° 01.558: Godzila é o produto de uma mutação genética em função do despejo de produtos químicos em regatos e ele se apresenta como uma anfíbio enorme, hermafrodita, com alta capacidade reprodutiva que ameaça a espécie humana como espécie predominante no planeta.



Tese de n° 01.559: O Parque dos Dinossauros é uma genial ficção científica na qual um mosquito fossilizado carrega no abdômen sangue de dinossauro, mas a freqüência do DNA não está completa e se faz uma reposição com um cromossomo de rã, ocorre que esta rã tem a singular peculiaridade de mudar de sexo quando há desequilíbrio na população entre fêmeas e machos e é assim que a vida retoma seu ímpeto e volta à existência.
 
 



Tese de n° 01.560: O cinema relativiza a teologia ao criar esquemas de compreensão do mundo e chaves explicativas que se apresentam como metanarrativas tão amplas como o projeto de salvação individual e da humanidade búdico, tântrico, cristão, etc.







Após partilhar essa genialidade, resta que tenhamos essa enciclopédia de filosofia divulgada e cada vez mais prestigiada. Também que tenhamos nos filósofos brasileiros e no cinema em geral um gosto mais acurado. Eu mesmo escrevi meu Filmes e Filosofia, que ainda merece maior prestígio, mas que dentre em pouco terá também seu destaque. Fato é que há muito mais nos filmes do que imaginamos, e mesmo naqueles que meu amigo citou acima, como Superman, Drácula, Senhor dos Anéis e outros, vemos sempre uma cultura que assola e devora. Vemos toda uma cosmovisão exsurgir da tela, seja ela grande ou pequena.