quarta-feira, 26 de março de 2014

Filme “A Caixa” e a causalidade dos atos



Filme “A Caixa” e a causalidade dos atos



            Esse filme onde estrela Cameron Diaz, da direção de Richard Kelly,  nos leva a grande reflexões éticas. Primeiro que o fato de se matar uma vida por um milhão de dólares, mesmo que seja por um simples ato de apertar o botão, leva a uma consequência certa. Segundo, que não há desculpa para o ato – no caso a necessidade por ter perdido o emprego na NASA, no filme.
            O fato de ser uma família burguesa e de estar envolvida uma espécie de conspiração ligada a NASA, já rende uma história sem igual. O fato do vilão ter sido atingido por um raio e depois desse fato ter comunicação com “empregadores” do céu, a fim de fazer a experiência da caixa, onde se testa a bondade das pessoas, ou perversidade, em troca de dinheiro, faz do drama algo que nos leva a refletir até onde temos um preço. A causalidade assim vem quando os personagens se veem em uma teia de aranha de conspiração, onde as pessoas próximas morrem graças a seu ato de apertar o botão.
            Sabemos que as guerras atuais são de apertar de botões. As bombas atômicas e mesmo uma injeção letal necessita de um aperto de botão. E a pessoa se vê num impasse ético ao exercer esse ato. Todo o ato provoca uma causalidade, ou mesmo já está ligado a outros atos em uma contigüidade (Hume). E isso nos leva a pensar na Causa Primeira, Deus, ou o Demiurgo. Leva assim a filosofia Platônica e Aristotética, e a noções que tendem ao impessoal ou mesmo ao pessoal, como o fez a filosofia cristã, Agostinho e Tomás de Aquino. Mas ao apertar o botão da caixa, eles encontraram a própria desgraça, conhecendo o céu e o inferno, e o pior: a verdade. 
            Fato é que é apenas um trabalho. Assim um abandona sua responsabilidade e capacidade, delegando a outro. E existem muitos “empregados”. Esses tais empregados o são pela conspiração e que se revelam já na biblioteca da universidade. Reverter o ato do assassinato tecnológico é impossível e o teste é feito e se torna eficiente. A caixa assim é um filme que leva a questões éticas e metafísicas, e até onde nossa sociedade tem micro-físicas de poder. Até onde somos manipulados e até onde a caixa, seja ela um carro, casa, caixão, computador, e outras “caixas”, nos leva a sermos escravos de algum sistema? Isso nos faz pensar e perceber que a história tem essa divisa do apertar do botão: a segunda guerra e as viagens espaciais o provam, mudando nosso paradigma existencial.