sexta-feira, 24 de maio de 2013

AVATAR E SEU SIMBOLISMO


AVATAR e o simbolismo iniciático



            A maior parte dos filmes e contos de fada, bem como sagas e assemelhados conta uma história padrão. É o caminho iniciático, percorrendo inúmeras dificuldades para se encontrar o céu ou paraíso. Avatar não é diferente. Apesar das críticas positivas que já o filme recebeu de inúmeros cinéfilos, bem como de sua qualidade impecável de imagem e som, além da qualidade extraordinária da versão blueray 3D, resta o seu simbolismo. O filme deslancha pela criatividade e pelo bom gosto de sempre de James Cameron, o diretor de Titanic, Exterminador do Futuro e tantos campeões de bilheteria.
            O protagonista Jake assim deve vestir o seu avatar, mas não sem antes passar por uma prova de morte simbólica, o que se vê bem claro nas câmaras a que tem de entrar a fim ingressar nesse mundo dos avatares, seres maiores e mais ágeis que os humanos, que vivem em perfeita harmonia com a natureza, em dimensão holística. Esse rito se opera em muitas culturas e em especial no xamanismo, onde esse mundo astral ou espiritual, verdadeira dimensão paralela, é acessada e compreendida, a fim de se perceber que a morte não passa de mera passagem para uma outra forma de vida, além de se conhecer o mundo invisível. A transformação do protagonista se faz pelo progresso de ganhar pernas (ter liberdade e vontade...) e ao conhecer sua contraparte feminina, a bela Neitiry, avatar por natureza, e não por incorporação. Ela assim dá a síntese de yin e yang, ou do sol e da lua, uma visão alquímica.
            A bela Neitiry assim leva Jake a sua cultura, a sua cosmovisão. Ele se vê inserido em uma missão militar (profana) e por fim vai contra a mesma, se tornando verdadeiro iniciado (pois iniciado significa o que nasceu duas vezes). Ao longo desse simbolismo iniciático passa por caminhos de outros elementos, como o da água, o do fogo e ar (simbolizado no dragão, que é resumo dos 4 elementos. As dificuldades ao longo do caminho são os graus de progresso nessa senda e o herói acaba por se revelar a cada momento a favor do mundo avatar, pelo sacrifício (da cruz ou corpo...) em prol da humanidade (Sol que ilumina a todos...). Toda essa simbologia pode ser enquadrada nas esferas da árvore da vida da cabala, que pode ainda ter analogia com planetas e divindades antigas, ou mesmo anjos e santos da cultura judaico-cristã. Avatar é um filme assim que soma todo esse saber em uma nova mitologia, claro que reproduzindo um saber semelhante ao da Atlântida, através de terras flutuantes e dragões, bem como uma civilização aparentemente perfeita. Me pareceu quando o vi pela primeira vez que foi uma homenagem a povos indígenas, e crítica a cultura do homem branco e suas máquinas, mas vi que ambas têm seu progresso e evolução, e que a alma do homem se inicia mesmo na escola da vida, para por fim encontrar a iluminação.

segunda-feira, 20 de maio de 2013


PROMETHEUS E OS ASTRONAUTAS DO PASSADO DE DÄNNIKEN



         Sempre fui muito fã da literatura de Eric Von Däniken, em especial de “Eram os Deuses Astronautas”. O filme Prometheus materializou tudo isso, e para mim pareceu uma continuação das séries de filmes Alien e Predador, que tanto admiro pela qualidade sonora. O nome faz referência ao titã ou gigante Prometeu, que teria roubado o fogo do céu e entregado aos homens, sendo por isso expulso de Olimpo e condenado a ficar acorrentado em rochas e tendo fígado bicado por um abutre. De certo modo o filme começa muito misterioso, já ao mostrar um desses gigantes e um disco voador, prendendo a atenção do cinéfilo.
         Prometheos é um filme que em grande parte se passa dentro de uma nave. Lembra em muito Pandorum nesse aspecto, e mesmo os filmes Alien, onde há sempre um robô atrapalhando as finalidades humanas. Aqui também o “siborgue” fica fascinado com um vírus alienígena, e mesmo com os “engenheiros”, gigantes que teriam o mesmo DNA nosso e que teriam nos criado.  O filme faz a referência arqueológica e coisas que já vêm provadas pelos teóricos dos astronautas do passado, o que parece ter começado com Däniken e se difundido. A arca de Noé, a estrela que guiou os três reis magos, colunas de fogo, fumaça, rodas de Ezequiel, e muitas passagens da Bíblia e de outros livros sagrados forma assim segundo esses teóricos, meros contatos com extraterrestres, que vêm mantendo contato e nos adestrando há algum tempo, sem ter contato porém constante.
         O filme se passa em torno 2090, e assim uma nave vai até uma lua que é tida por favorável a vida. Cientistas vão para lá e após acordar do sono congelado, e assim exploram uma caverna (que na verdade é uma nave alienígena), e assim enfrentam uma ventania de 200 km/h, tendo de retornar a nave. Porém um deles já contrai o vírus e assim acabam os momentos românticos do filme, que acalmavam o enredo. Mas há novamente aquele canhão dos filmes Alien e Predador, que forma baseados em descobertas arqueológicas, que representavam naves e astronautas. Talvez uma outra resposta para esses astronautas entre os homens primitivos tenha sido uma viagem no tempo, ou mesmo seres de dentro de nosso planeta, e não de outros planetas. 
         Por fim um ser alienígena é encontrado e nada amistoso, a esperança acaba e a luta entre seres continua, entre o gigante e os filhos dos deuses, os humanos. Uma nave tem de se chocar contra a outra e isso porque a Terra estava para ser destruída. Tudo acaba dando certo, apesar de aparecerem outros monstros daquela lua e assim as bestas se devoraram. Restou que a cientista procurou o planeta de origem desses “engenheiros” criadores da humanidade, e assim o filme acaba no mistério. Parece que essa é a metanarrativa de nosso tempo, e o raelismo já teria tomado a vanguarda em tal espiritualidade. E as revelações são muito convincentes, uma vez que de acordo com nossa mentalidade tecnológica, distante da visão medieval milagreira que ainda temos nas religiões tradicionais. Fato é que o filme é um dos melhores do estilo, senão o melhor, uma vez que somou tudo da mitologia Alien e Predador, e faz refletir muito nas crenças humanas, em suas angústias e esperança. Vai muito além da ficção científica com naves. Bom conferir. 

domingo, 5 de maio de 2013

Filme “6 Balas” e o complexo de Hércules

Filme “6 Balas” e o complexo de Hércules


            Van Damme está de volta em mais uma produção em que vemos um misto de artes marciais e explosões, dessa vez mais maduro e nessa película de ação cheia de heroísmo. Esse militar que erra em uma operação de combate a rede de tráfico sexual de adolescentes, quando ao explodir o local acaba por acidente matando crianças, se vê frustrado na vida. É o drama dos ex-combatentes, no caso da guerra do Afeganistão, especialista em matar. Assim o personagem Gaul está em grande angústia, trabalhando em um açougue e alcoólatra, chorando as mágoas da vida. Quando surge uma nova chance de se tornar herói e ajudar um casal, cuja filha adolescente foi raptada por essa quadrilha de tráfico sexual, pedindo sua ajuda. O pai da menina é lutador de MMA e acaba ajudando na missão de Gaul (Van Damme). Isso nos leva muitas vezes para a imagem de Hércules, que não tem morada nem entre os Deuses, e nem entre os homens.
            Sempre que lembro desse ator belga, Gean-Claude Van Damme me vem aquela imagem heroica do filme “O Grande Dragão Branco”, que qualquer menino gostava de assistir na TV nos anos 80/90. O ator é campeão europeu de karatê, e ainda fisiculturista. Também foi dançarino de balé, e por isso da desenvoltura dos golpes naqueles filmes antigos. Parece ser em muito um arquétipo da virilidade e do homem mais forte do mundo, um Hércules. Mas Van Damme mistura uns 4 estilos de artes marciais (kickboxing, taekwondo, muai thay e karatê shotokan), de modo que tem um estilo próprio. Nesse filme das seis balas mostra mais talentos bélicos que marciais. E marcial vem de Marte, que é deus Ares (Greco-Romano), deus da guerra.
            O filme tem uma novidade no roteiro, começando por um drama e repetindo o mesmo, sendo que nos perdemos pensando que o protagonista desista de sua missão heróica, ao aparentemente falecer cruelmente a menina. Fato é que por inteligência ele descobre que foi outra que foi assassinada, e assim teve uma terceira chance de se recuperar. Poderia ser 12 chances, como foram os doze trabalhos de Hércules. Claro que no lugar da deusa sombria Hera e de monstros como o cão Cérbero, de três cabeças, ele achou os monstros humanos na sua tara por exploração sexual. E Gaul assim se redime consigo mesmo, nesse ato heroico de salvar a liquidar os criminosos, usando da força e da bala, sem qualquer misericórdia. De interesse é a colaboração dos pais da menina, que corajosamente vão junto ao militar para a batalha a fim de salvar a filha. O filme é muito bom e tem cenas eletrizantes de ação e não se foca muito nas lutas, tendo assim certa naturalidade e realismo, ainda mais com a questão do tráfico de mulheres para exploração sexual, realidade cruel mundial. O Hércules belga acaba assim com essa folia e manda todos para seu devido lugar, numa pena de morte e justiça privada, uma vez que crime envolve postos de poder no governo. Um filme diferente desse ator, reservando sempre a sua imagem de bom moço e grande lutador. O Hércules que encontra o Olimpo de seu ideal e vence os monstros dos vícios e da angustia.