sexta-feira, 12 de abril de 2013

Filme O Hobbit e a criatividade reminiscente

Filme O Hobbit e a criatividade reminiscente


           
Esse filme no princípio parecia meio sem ação, fora o dragão, mas ao longo que a trama vai se desenvolvendo, vê-se que é uma obra de arte. De adaptação do livro do autor de Senhor dos Anéis, Tolkien, vemos nessa mitologia uma forma de reminiscência de tempos pré-cristãos, e uma aula de culturas antigas germânicas. Assim um homem pequeno, ou hobbit chamado Bilbo recebe a visita do istari ou feiticeiro Gandalf, que logo lhe comunica da visita de anões para um banquete, e, para a vingança contra um dragão, que teria destruído a sua cidade. Existe uma enciclopédia de seres mitológicos em Tolkien, e essa adaptação de seu livro mostra toda a fauna dessa realidade. Diga-se realidade porque parece uma reminiscência de paraísos e infernos, de mundo das ideias platônico, com quase Atlântidas e Sodomas.

            Então Bilbo é um homem estilo Abel, ele cozinha e cuida da casa, não se envolvendo com batalhas. Mas ao ajudar os anões, ele tem de aprender a lutar, e a vencer seu temperamento medroso. O Hobbit é fruto de histórias que Tolkien contava aos filhos, e de sua criatividade que de longe ultrapassa o comum. Ele parece um filólogo e até criou uma língua nova, que parece com caracteres árabes ou do sânscrito. Fato é que sempre Bilbo desiste e na última hora volta atrás, sendo inseguro. Porém destinado ao encontro do anel número um, e assim tem um caminho sagrado que já era sabido do mago Gandalf, mago este que sempre salva a vida dos seus companheiros, e também o destino daquela humanidade. Ademais, istari parece uma palavra baseada em Ishtar, deusa das estrelas de povos antigos. Toda a lenda parece de tempos pré-cristãos, e cheia de santos e heróis, bem diferente do que pintam os judeus a respeito dos povos antigos.

            Recebem assim durante o caminho ajuda de seres benéficos, os Elfos, que aparentam, pessoas jovens e belas, sendo espécies de elementais, e ainda sendo quase mortos por gigantes Trols, e ainda os Orcs, esses seres das trevas, monstros. A luta entre sese de luz e das trevas é constante, a semelhança do Senhor dos Anéis. Apenas aqui mais sutil, e feita por quem não estava acostumado a tal, como os anões e o Hobbit, que desiste por diversas vezes e deseja voltar. Mas quando vemos o mago conversando com a elfo Galadriel (outro nome que parece divino ou angélico... ), vemos que o caminho está certo e que por fim chegarão na montanha solitária.

Mas antes Bilbo cai no abismo e reencontra a criatura que guarda o anel, Gollun (nome que me lembra o boneco judeu que tinha vida, golem...), e assim este perde o anel que é encontrado pelo hobbit, e o desafia em charadas e enigmas, em espécie de jogo. O ser Gollun está sombrio e acaba por se aproveitar ddaqueles que caem no abismo dos gigantes, e assim deseja matar, e parece a toda hora ouvir a voz de espíritos o ordenando matar. Mas perde o jogo e tenta perseguir Bilbo, mas quando este descobre o anel, e o usa, fica invisível, e assim foge da caverna sem mais problemas, reencontrando os anões. O anel é um  símbolo de poder e a invisibilidade era muito cara aos antigo, aos feiticeiros e outros, e tinha até certa realidade. Interessante é que o herói Hobbit é ao mesmo tempo anti-herói, por ser medroso e por ser um ladrão. Sua função é ser um ladrão.  

Vemos uma reminiscência bem forte na lenda, e as runas são reais, alguns dos seres estão em mitologias, mesmo que por outro nome e eventos como solstícios eram comemorados mesmo pelos antigos. A runa que o mago faz na porta do Hobbit chama feoh e significa enriquecimento, dinheiro e fertilidade. Parece que dela surgiu nossa letra F, e também diz que os objetivos serão conquistados. O mago foi sábio ao desenhar a tal na porta da casa de Bilbo. Isso lembra evento bíblico onde se desenho nas portas das casas para afastar anjo da morte. Também o anel lembra um tal anel de Salomão, que tinha propriedades mágicas. Então as culturas conversam, entre si. Fato é que o filme nos leva a uma espécie de Atlântida, e que nos remete a reminiscência de Platão, uma vez que impossível acreditar que o autor inventou tudo isso do nada, meramente para contar historinhas para seus filhos dormirem. O filme é uma pintura, e tem muita qualidade, mesmo em cenas de CG. Um dos melhores que surgiram ultimamente, longe dos clichês e continuações. O filme ganha independência em relação ao Senhor dos Anéis. Mas mantêm a qualidade.