segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Robocop versus Exterminador do futuro e Asymov


ROBOCOP VERSUS EXTERMINADOR DO FUTURO E ASYMOV





                Desde que o grande autor de livros de ficção científica, Isaac Asymov escreveu sobre robôs e novas tecnologias, muita coisa já estava pronta para ser usada no cinema. Muitas previsões foram feitas por esse autor, como os computadores de mão, que na sua época ocupavam um espaço de estádio. Mas do pesadelo de uma noite de James Cameron, o diretor de Titanic e Avatar, surgiu sua primeira obra prima: “O exterminador do futuro”, com ninguém menos que o fisiculturista e recente governador, Arnold Swarzenegger, que era um robô assassino vindo do futuro. Sorte vir um homem do mesmo futuro, com fama de salvador da humanidade, e ainda Sarah Connor, que teve recente seriado, na homenagem da mulher corajosa, para unir forças a combater o anticristo do futuro. Também Robocop serviu de modernização do arquétipo do messias, e muitos o chamaram na época, década de 80, de Jesus americano. Ambos imortalizaram no cinema o mundo dos robôs.
            Na obra de Asymov surgem uma série de robôs, com diferentes funções. Contudo são bem humanizados, e segue regras rígidas, sendo a primeira lei da robótica não ferir ou matar seres humanos. Já em Robocop e Exterminador do futuro se veem essas leis da robótica descumpridas. Já discuti esses aspectos filosóficos em um livro chamado Crítica da Razão Cibernética, em coautoria com Cléverson Israel Minikovsky e inspiração de nosso amigo Patrick Vicente. Assim devemos pensar até onde Robôs que imitam sentimentos e humanidade podem ter direitos, e até onde podem interferir em nossas vidas? Em Asymov essas questões foram amplamente discutidas, inclusive em contos onde os robôs desobedeceram a primeira lei da robótica.
            Fato é que em Robocop há uma série de analogias onde o policial herói Alex Murphy se vê repetindo eventos cristãos, como a morte por tiros onde estava com corpo gesticulando uma cruz, bem como numa possível reação contra inimigos criminosos onde passou por espécie de batismo em águas. O cinema tem muitos desses símbolos e isso que dá um encanto maior as produções, que têm muito mais do que mera busca de bilheteria. O Robocop também guarda grande carga de humanidade, lembrando fatos de seu passado, indo procurar ex esposa e assim por diante. Todo o caminho de Murphy está traçado pelo amor, mesmo vestido com a armadura cibernética. A vingança ou justiça é feita e o robô policial quebra também suas diretrizes para superar inimigos, dentro os principais, seus próprios fabricantes.
            Já em “Exterminador do futuro” o robô está como antagonista, e os seres humanos precisam combater seus automatismos. Surgindo para eliminar Sarah, haja vista ela ser mãe de um futuro salvador da humanidade, ele vem como anjo da morte, espécie de cavaleiro do Apocalipse. Essa analogia não fui eu que inventei, mas está no recente seriado. Também não se trata de arquétipo do masculino, uma vez que na terceira versão da série, o robô é feminino. Vemos em Sarah a mulher do presente e futuro, vencedora de antigas dominações, emancipada. O filme ganhou prêmios de efeitos especiais, e a versão de DVD tem o som excelente para se testar home theaters, haja vista o perfeito envolvimento em multicanal. O robô parece indestrutível e o final é surpreendente, coisa que em filmes não vemos sempre. Há um romance e esse trabalho de Cameron foi comparado na época depois com o Robocop. AS mitologias são bem diferentes, mas tem sempre a influência do cristianismo. E Asymov também pode ter servido de inspiração, uma vez que na década de 80 não havia robôs, e mesmo hoje apenas vemos em vídeos japoneses. Fato é que são ótimos filmes que não exageram, usando efeitos mais realistas que os atuais, de computação gráfica. Com o olhar certo, os filmes guardam grandes lições e são bem inteligentes, apesar de aparentar serem infantis.  

sábado, 22 de dezembro de 2012

Dr Jivago: paixão e a luta de classes

Doutor Jivago: paixão e a luta de classes




                Esse filme de David Lean é o melhor de todos. Com fotografia que faz abrir a boca e som que igualmente nos coloca no clima do drama, fato é que para mim tal obra teria de iniciar este livro. Com atriz premiada, Julie Christie e Geraldine Chaplin, esta última filha de Charles Chaplin, o filme foi indicado a 10 Oscar e ganhou 5. Mas começa com um jovem casal formado por irmãos, ele adotado, e assim o Dr. Jivago já estava em seus estudos de medicina e sonhos retratados em poesias. Mas com a Revolução Russa a coisa mudou, e aqueles das classes altas tiveram que ter em suas mansões o povo como hóspede: na verdade não eram mais donos de nada.
         O Jivago vai para a guerra e conhece Lara (Julie Christie), bela loura que hipnotiza com sua graça. Ela é enfermeira e ele médico, e ambos ajudam muitas pessoas em meio à guerra. Amigos ainda. Ou mesmo que com um inocente caso, ele antes casado com sua irmã de criação, agora se vê frente a uma paixão não programada, real paixão. Ela que namorava um revolucionário, depois espécie de ditador, e ele cheio de sonhos retratados em seus versos áureos, mas distantes da luta de classes a que se envolvia sua terra.
         O filme é um longa. Então prepare a paciência e entre no clima. Ás vezes com neve e muita batalha, sem contudo chegar a ser um filme de ação. Também um filme que vai de um livro encontrado do médico, até a história em tempo real dos fatos que envolvem esse dois amantes. Mas não é um filme centrado nisso, mas nos leva a viagens de trem, a revoluções e emoções não presentes em outras produções. O filme vai além de O vento levou, com o tema da guerra, e muitos da crítica diziam ser apenas paródia da Guerra Fria.
         Mas enquanto houver mais valia, participações irrisórias de lucros, salários baixos e toda a gama de reclamações sindicais, haverá assim a luta de classes. Pois os donos dos meios de produção serão os mesmos, e o capitalismo ainda é o meio mais sintonizado com as pessoas, que gostam de ter coisas, que na verdade são o próprio “ter”. E no comunismo ninguém tem nada, além dos burocratas, então o sistema não vinga. Claro que alternativas sociais como Kibutz israelense pode funcionar a fim de eliminar a fome, mas sempre as paixões falarão mais alto. E Jivago e Lara nada mais representam que a crise existente em relacionamentos que não se sustentam, em sonhos irreais que se rompem frente à verdadeira essência das coisas, no caso seus mais íntimos desígnios. Isso se simbolizou pela paixão. Assim eles desafiam um ditador, passam por guerras, dificuldades, fome, frio, tudo isso em paisagens mais do que belas, numa obra prima do cinema. O filme resumo o sonho do poeta, bem como do médico, na cura maior, na liberdade e vitória sobre a opressão e ditadura.