domingo, 29 de abril de 2012

FILME “A OUTRA TERRA” E IMPASSES EXISTENCIAIS



           
Marling, moça bela e jovem, bem como de futuro promissor por sua inteligência,  estudante de astrofísica, estava numa festa bebendo com amigos, de tal modo que foi embora com seu carro e ao dirigir ouviu pelo rádio que astrônomos haviam descoberto um novo planeta, semelhante a Terra, e assim ficou olhando ao céu, enquanto estava ao volante. Assim, na distração acabou por colidir com outro veículo, onde toda uma família estava, e de tal feita vindo a matar os seus ocupantes, menos o pai de família, John, que sobreviveu mas ficou com a vida destruída, morando sozinho e tomando remédios, bem como bebidas alcoólicas, além de estar sem seu emprego. A adolescente foi ara a prisão por 4 anos (isso que é justiça...), e ao sair foi buscada pela família, sendo que estava também com o impasse existencial de não mais estudar e ser astronauta, tendo em seu quarto maquetes de planetas e fotos de telescópios espaciais, bem como envolta no assunto do momento: a “Outra Terra”, que haviam descoberto haver vida, e pessoas idênticas a nós, ou nós mesmos.
            Outrossim, em Marling não havia mais a existência feliz, e ela buscava saber quem era o sobrevivente do acidente, procurando antes um emprego, e sendo faxineira, uma vez que não queria contato com as pessoas, queria sim ficar sozinha. Tentou assim se suicidar deitando seu belo corpo e cabelos dourados sobre a pálida neve, sem sucesso, uma vez que foi salva. Ela se via em um impasse existencial porque sua vida não fazia sentido, não tinha mais os amigos, nem o seu sonho de viajar ao espaço, apesar de tentar participar de uma viagem a outra Terra, em um concurso de redação. Isso lembra a minha pessoa, pois a única coisa que ganhei em concursos de redação foram livros, e isso me identificou a personagem. Mas ela tinha em seu trabalho um senhor amigo, parecendo um índio e cego, e disse que ele “se via em todos os lugares”, assim lhe ensinando os saberes de uma outra ótica. Lembra Sartre: “o outro é o inferno” e lembra Nietzsche, onde a massa se torna espécie de “moral de rebanho”, logo não boa ao super homem. E toda hora no filme vem uma voz em off comentando a situação do outro mundo, onde existem outras pessoas iguais a nós, comparando a outro eu que está em nosso interior, com o qual conversamos todo o dia sem perceber.
            Mas que outro eu? Pensei de pronto já no Ego de Freud, bem como em alter ego, superego e assim por diante. Esse outro eu sempre está conosco, nos julgando, conversando quando falamos sozinhos, quando pensamos conosco mesmos. Outros eus dentro de nós, mas no mínimo um outro eu, uma outra Terra, onde moramos todos nós, onde temos uma vida paralela, mais feliz, mais próspera, ou pelo menos com outras possibilidades. No filme, esse planeta desponta no céu desfilando o seu azul, a todo o momento despertando as pessoas que querem o conhecer, quando não analisam filosoficamente seu próprio eu, sua ontologia, nesse impasse existencial. Nos leva a pensar na busca da ciência, pelo mundo exterior ao homem, com suas viagens espaciais, e na busca filosófica, que foi dentro do homem, em sua alma.
            Mas a moça arrependida foi a casa de John, trabalhar como faxineira e descobre ainda alegria, em meio a tanta decepção e esse drama que vive. Alguns dias são bem estressantes e caóticos, mas no momento que ambos jogam vídeo game e sorriem, eis que corações se revelam mais leves, e que apesar da diferença de idade, e das perdas dele, a música começa a retornar a sua vida, em partitura de maior vitalidade. Nesse passo, após ele mostrar as habilidades de tocar um cerrote como se fosse um violino, imitando voz de soprano de ópera, os dois caem em abraços e beijos calorosos e apaixonados, apesar de após o ato de amor, ele falar em ex esposa e do acidente. A Marling assim vai ao banheiro vomitar, pois fez amor com o homem que ao mesmo tempo arruinou a vida, e pegou seu trem. Por outro lado, antes ela estava também feliz por descobrir que ia viajar a outra Terra, e realizar seu sonho de astronauta. Sua existência se vê novamente questionada e ela oferece o ingresso a John, este briga e quase a mata, ao descobrir que foi ela que ocasionou o acidente, e entre o amor e o ódio, ele opta pela indiferença, apesar de aceitar silenciosamente o ingresso oferecido por ela, treinando e viajando para o outro mundo, onde o tempo está atrasado 4 anos e alguns meses, época anterior a morte de sua esposa e filho, assim podendo os reencontrar.
            A Outra Terra guarda um outro Eu e assim temos solucionado ambos os problemas existenciais, o dela, por restaurar seu crime, e o dele, por rever seus familiares. O filme assim reserva alguma lição, apesar de ser meio triste, e um drama legítimo. No final ela encontra seu outro eu, como em um espelho, ao andar próximo a garagem de sua casa, confirmando o que eu disse sobre o alter ego, e a possibilidade existencial que guardamos oculta em nosso inconsciente, e por consequência, a felicidade. Enfim, um outro mundo existe, de qualquer modo.


sexta-feira, 20 de abril de 2012

filme exorcismus


EXORCISMUS – MAIS UM RELATO DE HISTERIA


Vamos mais uma vez falar em filmes que interessariam a parapsicologia.Vemos nessa produção de Manuel Carballo, uma obra original e independe do clichê que se formou em filmes do gênero, após o primeiro, dos anos 70. Aqui a trama se desenrola à luz do dia e a moça não é mais uma criança, mas uma adolescente. O roteiro faz bons jogos dessa fase da vida e de sua crise existencial, bem como a rotina da família pós-moderna burguesa se vê em choque com a vida rebelde da Emma, que sai com amigos e experimenta drogas e outras aventuras. Isso talvez seja a possessão, esse desejo inexplicável pelo proibido, que afeta tantos adolescentes, revelando sua porção semi-instintiva a que Freud chamou de Id e que a neurociência chama de complexo reptiliano do cérebro. O Demônio tem boa morada e manifestação quando se usa mais esse “cérebro” primitivo, reptiliano.
Gostei dos bastidores, onde os “latinos” da produção falam das técnicas de filmagens, maquiagem e a atriz se desdobra para fazer o papel, Sophie Vavasseur, tendo de usar grandes lentes brancas de contato, ou coisas nos olhos, além de rosnar de forma desenfreada. Os efeitos especiais foram reduzidos, e muito foi feito mecanicamente, com cordas, marteladas, baratas... É um filme especialmente assustados às mulheres, e a tática da barata foi inteligente (e não convide namorada ou esposa para ver o filme...). A atriz convence e no mínimo é modificada, sendo sua voz mesma e uma boa representação do papel, que teríamos de volta a Idade Média para presenciar em sua totalidade. A Igreja Católica hoje condena exorcismos, porque se estuda a parapsicologia e se tem maior conhecimento científico, e são pessoas antes que devem ser tratadas, que exorcizadas. No filme fica clara uma epilepcia acompanhada de histeria, ou semelhante a nome de livro de Freud, uma “neurose demoníaca”.
O interessante do filme que é bem sutil a manifestação, e o filme não exagera,comparando a outros, sem fantasmas, sem muitas coisas inexplicáveis, a não ser a levitação (psicocinese?) e a personalidade falando num tom estranho de voz (inconsciente e pantomnésia?), e no mais a paranormalidade não ocorreu muito, a não ser morte estranha de psicólogo, além de uma leitura de pensamento (hiperestesia? telepatia?) da moça ao falar que amiga é lésbica (o devia ser verdade pela raiva despertada...). Por coincidência, ao ligar TV em programa “Mulheres”, esses dias estava o padre Quevedo analisando um exorcismo de vídeo de Internet, balançando a cabeça de indignação. Simplesmente falou para que procurassem tratamento e que Demônio não existe pela ciência, mera invenção religiosa. Os fenômenos paranormais explicados por telergia, uma energia que se exterioriza por ectoplasma.
Já por espiritismo, ocultismo e outras vertentes, vemos que se tratava de um espírito entristecido, mistificador, um cascão astral ou mesmo uma egrégora criada por mentes pervertidas, que se manifesta para vampirizar a pobre adolescente e assustar os presentes com seus poderes físicos ou de efeitos físicos. Demônios poderiam ser, apesar de que o ritual que a moça fez não parecia de goécia (o circulo mágico não era com serpente...), e nem ela teria habilidade e conhecimento oculto para tal. No mais, poderia ser um ataque astral de um feiticeiro, e muitas outras situações, fosse algo na vida real. Filmes claro que exageram e refletem algum conhecimento, e o padre charlatão foi ao fim desmascarado pela própria moça, apesar de que ela perdeu tudo até isso ocorrer. O filme é muito bom, mas para quem já conhece o gênero, é um complemento, não sendo referência. O belo trabalho da produção latina leva destaque e os efeitos físicos põem mais medo que de mera computação gráfica. Vale a pena para quem gosta de boa representação, uma vez que a atriz dá um show de rugidos e contorções. No mais, parece mais histeria, não nos levando além de uma cura que pela hipnose e grupo de parapsicólogos resolveria.

domingo, 15 de abril de 2012

Filme Splice e a bioética

Filme Splice e a bioética




        
Esse filme já choca pela capa, pois na mesma se vê os seres manipulados geneticamente. Na locadora porém, em primeiro momento pensei serem seres extraterrestres, mas não se tratavam de homenzinhos verdes. Com supervisão de Guillermo del Toro, Splice é uma nova forma de ficção científica, usando de modo mais inteligente a computação gráfica, diferente daqueles trabalhos grosseiros de “Homem Aranha” e “Hulk”, onde parece que você está jogando vídeo-game e não vendo filme. Mas em Splice até que é convincente as animações de CG. O filme começa por criação de pequenos animais para fins farmacêuticos, manipulando os seus gens, e de forma escondida o casal de cientistas colocou gens humanos na experiência, desafiando toda a regra de bioética, criando um novo ser. Acaba porém dando algo errado.
         O filme parece ser filmado em duas “locações”, dentro de um estúdio que imita laboratório e em uma fazenda, com certa mata e alguns pequenos lagos ou pântanos. Quando cresce, a “Frankenstein” criada pela manipulação genética assume comportamentos humanos, menos a linguagem falada, mas a linguagem corporal fala quando ela está com raiva, quando chega a puberdade, de forma que misteriosamente seduz o seu produtor homem, este não aguentando seus encantos, principalmente por conter gens de sua esposa, sugerindo que seria uma esposa mais jovem (fantasia masculina...). A Elsa, mãe artificial de tal ser monstruoso, se encanta tanto com sua filha, que fica obcecada e faz de sua vida uma dedicação a tal criatura, a qual envelhece de forma acelerada, porém apresentando características de retardamento mental, ainda brincando com suas bonecas e espelhos. Mas pouco a pouco a criatura feminina mostra suas garras, asas, armas, uma vez que foi produzida à partir de gens animais misturados a humanos, e assim tem grande mobilidade física e até poderes, surpreendendo os seus cientistas criadores, e também pais.
           Splice é um filme diferente, assim como alguns que gosto de assistir. O final não é clichê, as coisas acontecem de forma mais realista, e apenas alguns exageros como as asas de morcego e a aparência final de quase vampira da criatura, mas no mais foi um filme único no gênero. Um “Frankenstein” para o nosso tempo, com nossa tecnologia. O que era para ser o bem da ciência, se tornou o mal. Isso já ocorreu quando Santos Dumont inventou o avião, e quando Einstein estudou a energia atômica, ambos pensando no bem da humanidade e suas descobertas sendo usadas para fins militares. A bioética também já o foi desafiada no Nazismo, com mil experiências e tudo mais, e assim sabemos que cedo ou tarde as coisas vão mudando, como ouvimos recentemente em julgamento por parte do Suprimo Tribunal Federal do aborto de feto sem cérebro, com anencefalia.
         Mas nota-se que o monstro na verdade é uma bela e jovem moça, provavelmente adolescente e que suas patas ou garras são feitas por CG, mas que do resto sobre a sua graciosidade. Vemos que a manipulação da vida não é o mesmo que a criação da vida, e que apenas Deus cria a vida e a tira. Sabemos que leis naturais e leis cósmicas governam as coisas, e que o homem descobre apenas o que pode encontrar. Fato é que a ciência oculta e mesmo certas seitas de ufologia (Movimento Raeliano) sabem que o ser humano é resultado de manipulações genéticas várias, e que até chegar ao ponto onde está foi necessário muito trabalho em mesclas com animais, o que resta em mitologias de “deuses” misturados a bichos, como ainda vemos os do antigo Egito. Isso seja talvez em grande parte o que significa o mito da queda. Resta que a bioética tem de ser respeitada e o homem pode usar de sua ciência para o bem, sendo que se usar para manipular coisas monstruosas logo encontra o não apoio da Inteligência Cósmica, que logo intervem no ponto de mutação, no fim de um Aeon, como ocorreu em Atlântida, Sodoma e Gomorra, mitos que devem refletir alguma verdade histórica.  O filme mesmo assim vale à pena e assusta para quem tem algum preconceito com relação a aparência e ao que é diferente. Quanto a mim, parece que estou acostumado, por ser um cidadão do Cosmo, não mais desse mundo apenas.

domingo, 8 de abril de 2012

filme A casa dos Sonhos e mundo espiritual

FILME “A CASA DOS SONHOS”, O SER EM SI E O MUNDO ESPIRITUAL




         
   Atendendo a indicação de uma amiga, Tatiana (da Clínica Tao) vi esse filme e agora descrevo um pouco de seu enredo e segredo. Indicado seis vezes ao Oscar, do diretor Jim Sheridan, “A Casa dos Sonhos” supera a expectativa, quando ao se deparar com uma história de clichê em seu início,  acaba por se assustar com o rumo que a história roma da metade até o final. O ator Daniel Craig se supera quando contracena com a atriz de “Alexandria” como esposa, e tendo como vizinha e melhor amiga a atriz que certa vez tinha sido protagonista em “O Chamado”. O personagem central está tão mergulhado na família perfeita burguesa e capitalista, que esquece do seu passado sombrio, que na verdade é revelado no final do drama, e que nos faz a todo momento questionar a sua ética e se ele mesmo é quem é.
            Me lembrou um outro filme, aquele de produção espanhola, chamado “Hipnos” onde uma moça vai trabalhar em clínica psiquiátrica e não sabe se é também louca. Em “A Casa dos Sonhos” o protagonista descobre que ele estava internado e que ele era o vilão, ou pelo menos era acusado como tal, pelo assassinato de esposa e duas filhas, ainda pequenas. O diferencial da trama é que se pode resumir em uma palavra do ramo filosófico: solipsismo. Calma, leitores inteligentes: apenas se refere esse termo que a individualidade é tudo, que tudo está dentro da mente e não há realidade fora de nós. No caso a realidade toda estava no pai de família da história. Isso lembra a filosofia de Descartes, onde “penso: logo existo”. Para mim é também penso: logo todas as coisas existem. Esse é o clima do filme, onde a realidade é toda nessa casa formada pela mente do personagem que de herói passa a vilão e vice-versa.
            Outro enfoque que eu queria visar é o espírita. Muitas almas após morrer ou desencarnar acabam por ficar perdidas, vivendo como se ainda vivas fossem, com seus afazeres diários, convívios e próximas a pessoas com que conviviam. Mas a verdade vem aos poucos e as coisas desaparecem, ou se transformam: a pessoa descobriu que morreu. Outro filme já revela bem essa dinâmica, “Amor Além da Vida”, onde a mente de cada pessoa e sua consciência produz no mundo espiritual a sua realidade, seja essa sombria ou paradisíaca. Em “Nosso Lar” ocorreu essa falta de perspectiva de criação mental, e as pessoas parecem cair de pára-quedas no plano espiritual, com seus espíritos guias e sua medicina especial e tratamentos de transformação.
            Mas “A Casa dos Sonhos” surpreende por defender esse enfoque, que pode ser interpretado também como simples esquizofrenia de seu protagonista, que resolveria toda a situação em alucinação. Outro filme nos aproxima esse enfoque, que é “Uma Mente Brilhante”, onde a realidade mental do homem se mistura a realidade, gerando um homem perdido entre dois mundos, apesar da genialidade. Aqui o herói passa a ser o vilão em “A Casa dos Sonhos”, depois salva a situação e se encontra com vingadores, que querem justiça pela própria mão, em total equívoco, e que se dão mal.  A fita vale à pena, e tem todo o aconchego familiar contrastando ao drama de um homem que desafia seu passado e que questiona sua identidade, percebendo um mundo paralelo que lhe compensa a perda da mulher e duas filhas, em um crime brutal de assassinato. Salva a sua vizinha e o filme sugere uma continuação, pois incendiada a casa, não sabemos se mentalmente ainda vive a família muito amada do personagem central, ou se este acaba seu livro que chama: A Casa dos Sonhos. Um filme de qualquer forma diferente, apesar dos comparativos que fiz com esses outros que citei.