quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Filme Perfume: o elixir do desejo

      FILME PERFUME: O ELIXIR DO DESEJO     


           
O filme retrata bem a proposta de seu título: todo o poder e segredo dos perfumes é aqui revelado nessa película dirigida por Tom Tykwer, que segundo amigos meus foi o filme mais maluco que já viram. Sobre a minha experiência, foi mais o final do filme que me surpreendeu, e a questão da parafilia olfativa do protagonista, Jean Baptiste Grenouille, já não era para mim novidade, somando-se apenas o seu ofício de serial killer para sustentar sua compulsão. O super poder de olfato parece ser bem interessante no inicio da película, e a adaptação do livro foi parece boa. Até as pedras o cara conseguia perceber, e quando encontrou uma bela jovem na puberdade, não resta dúvida que seria sua finalidade vital, sua missão, mesmo que psicopata. A história se desenrola assim no século 18 e é um tanto romântico o enredo, ainda focado nessa coisa de mito da virgindade e eterna busca pelo segredo da vida e felicidade.
            A fotografia e o figurino do filme são exemplares. Sempre gostei de filmes de época por causa do figurino e daquelas mulheres ricamente trajadas, com cabelo não alisado, e toda uma docilidade que é aspecto arquetípico da feminilidade. Mas Perfume vai além, ele retrata o perfume dessas moças que serão aos poços tendo tirada a sua essência e alma, o seu perfume, por um método que esse aprendiz de perfumista, através de banha de porco. A primeira vítima foi por acidente e a segunda uma prostituta, mas em seguida o Jean procura as virgens, o que na época existia naquela faixa etária. As ruivas são as preferidas, talvez por o autor do livro ou mesmo do filme talvez se lembrar da ética cristã e da mulher da Babilônia do Apocalipse, vestida de púrpura etc. Mas a castidade é a preferência e o assassino apenas busca o odor das moças, não sua porção íntima. Quando jovem cheirava o lixo de certos mercados da França, muito sujos e fétidos, e agora ele encontra essa porção de libido desviada.
            O personagem parece um coitado. Não é de forma nenhuma ameaçador. Com sua sempre escravidão, ele trabalha em lugares onde se produz perfume e lida com flores, e também tem o passatempo de matar as moças e cortar os cabelos e na sua nudez retirar a essência perfumada de seus corpos, cuidadosamente guardada em frascos de vidro, que por fim viram elixires mágicos do amor. O fim do filme revela esse feromônio máximo, esse perfume do acasalamento, existente nos animais de forma eficiente, mas que em humanos não passa do cheiro que procuramos evitar.
            O próprio diretor em entrevista nos extras fala que o protagonista mostra muito da máscara por trás do personagem, algo instintivo que até na atualidade seduz em relação aos famosos. E interessantes são os ângulos de câmara e locações em ruas muito bem estilizadas para ambientar a falta de higiene da Europa do século XVIII e a nudez das pessoas foi algo bem sutil e filmado para ser impactante mais em sentido artístico, o que agrada e não abusa. Vejo que o centro da história talvez seja o poder atrativo e invisível das coisas, e mesmo o feromônio que atrai a sensualidade nas pessoas e a ética cristã, uma vez que o assassino perfumista seduz e conquista todos no final, inclusive a Igreja, o que nos faz pensar no sempre lembrado Lúcifer, apesar de não fazer a fita essa ligação. Mas guardar a felicidade em um frasco de vidro, o prazer e a satisfação é um sonho dos magos: é o elixir. Várias receitas mirabolantes existem e aqui não nos cabe falar, mas o filme me pareceu mais a produção dessa feitiçaria que de algum mero perfume. Por fim é a porção instintiva, do sistema límbico e animal, que em outros estaria dormente, mas que em Jean é poder paranormal, usado ainda por seu gênio psicopata. Um filme muito bom, talvez um dos melhores no estilo. Vale à pena locar e refletir com suas lições. E o ritmo é amoral e surpreendente no rumo que caminha a história. A arte da multidão no final e sua nudez me pareceram uma tela renascentista do Juízo Final, muito interessante.     



domingo, 19 de fevereiro de 2012

Filme Incontrolável

INCONTROLÁVEL - UM MONSTRO DE METAL




           
Incontrolável não se trata de um homem tomando cerveja – não nesse filme. Aqui Tony Scott se superou em uma produção mais do que especial, há que muito tempo não se via na telona, onde um trem desgovernado assusta e arrepia em cada cena, trafegando carregado de carga explosiva e ameaçando a vida de cidades inteiras. O filme agrada já de começo, por evitar ao máximo a Computação Gráfica. O cinema de uns tempos para cá decaiu pelo exagero em coisas produzidas em computação gráfica (CG), o que o produtor aqui quis evitar. Assim descarrilou um trem de verdade! Mandou dublês para cenas perigosas e os próprios atores nas cenas com um trem em movimento, bem como muitos helicópteros para filmá-lo passando às vezes a centímetros de distância. Denzel Washington apesar da idade, aqui teve que fazer um cinema mais real, e onde o protagonista era antes a máquina que o ator. O filme vale a pena, por não exagerar na violência e ter assim classificação de censura de 10 anos, o que atrai crianças para assisti-lo.
         O filme é daqueles que você não pode desviar a atenção. Se acontecer, acabará perdendo alguma colisão de trem com algo, e algo real, e ainda a cena do descarrilamento é muito interessante, parece que tem umas vinte câmeras para o incidente. Paralelamente, os dois protagonistas têm problemas familiares, um com a esposa em divórcio e outro com as filhas, por ter esquecido data de aniversário e se dedicar muito ao trabalho. Outro conflito é o empregado novo que substitui o que se aposenta, e ambos começam assim antagonistas no enredo, tentando parar esse míssil montado em uma locomotiva. O problema foi que até chegar a isso, exigiu muita luta e quebra de barreiras, em um feito heroico para primeiro chegar a máquina com outra composição, isso de ré, e depois de acoplar começar a frear e tentar segurar a outra máquina, o que não foi conquistado facilmente.
         Muitas técnicas de filmagem e máquinas paralelas foram produzidas. O produtor disse que a computação gráfica ficaria cara, daí ele comprou um trem de verdade e reformou, usando para as cenas. Isso sem falar em várias máquinas com altura modificada, uma que a câmera circula em seu perímetro e outras ainda, facilitando assim filmagens e closes em enquadramentos. Também os pilotos das filmagens aéreas passam raspando em árvores, andam bem próximos de Denzel, e assim trazem uma emoção real ao filme, não apenas montagens, como em outros filmes. Essa película parece daquelas que podemos ver em matinê, e quando começar a passar em sessão da tarde, certamente será algo que colocará as crianças sob atenção redobrada, especialmente os meninos. 
         O produtor mesmo disse que o filme deveria se chamar The Beast, mas acho que já deve ter existido algo ou não vingou essa opinião. E há algumas cenas em que junto ao som da locomotiva há mesmo o rugido de uma fera, propositalmente inserido. Isso muito lembra os instintos e dificuldades da vida, que são feras que nos levam para uma proximidade de desistir e até da morte. Ademais, os personagens passam por extremos, em momento de serem despedidos do emprego, e noutro momento como uma surpresa que vem ao final, que não vou contar. Lembrou-me outro filme de trem descontrolado, mas esse pareceu mais filmado por seu exterior, enquanto o outro era no gelo, e envolvia mais os personagens. Aqui a locomotiva é o personagem.
Os meninos vão gostar do filme porque mecanismos e poder são partes da personalidade masculina. Desde cedo percebemos que meninos ficam vendo máquinas, tratores, trens, navios, aviões, carros e tudo que envolva mecanismos. Minha mãe disse que eu mesmo sumia às vezes com 4 anos de idade para ver tratores e carretas perto do apartamento onde morávamos. Atualmente sou uma locomotiva filosófica, com meus 16 livros e muitos temas polêmicos. Mas o Incontrolável é um filme que comprei, e que revejo de vez em quando, pois tem uma ação que não apela para a violência e traz um trabalho bem feito de produção e filmagem, sem as muletas de efeitos especiais de computador. Chegando ao fim em uma curva, talvez significasse que todos temos curvas em nossas vidas, com locomotivas explosivas de problemas, mas que superamos e vencemos no heroísmo que se torna por fim a experiência de nossa existência. E tudo pode ser revertido, pode ser resolvido. A máquina do filme se dava como caso perdido, e mesmo assim alguém teve esperança de salvá-la. O monstro foi vencido, feito a obra de São Miguel ou São Jorge, e por fim não ocorreu a explosão que eu esperava. Talvez em uma continuação, veja eu uma explosão maior. Conclusão é que o incontrolável na verdade é controlável.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Pandorum e um novo mundo

PANDORUM E UM NOVO MUNDO



                O planeta Terra está super povoado e não há mais recursos naturais. Um planeta semelhante à Terra é descoberto e assim como formas de vida vegetal que podem assim dar uma nova esperança para aqueles que no mundo não mais sentem segurança de sobrevivência. Assim uma nave é lançada rumo a este novo mundo, essa cidade do Sol ou Utopia, lembrando obras de Campanella e Morus, para assim fundar uma sociedade justa e igualitária, e possível de sobrevivência. O crescimento da população mundial forçou essa alternativa e milhares de pessoas forma levadas por essa nave (chamada Elisyum), em um hipersono, a fim de acordarem um dia no novo mundo. Lembra-nos assim as grandes navegações, que foram semelhantes a viagens espaciais colonizadoras, com Colombo e seus auxiliares vários. Mas algo dá errado, a doença Pandorum perturba a tranquilidade de muitos e ainda há acompanhantes misteriosos e perigosos na nave. A regra de Darwin mais uma vez funciona, e apenas os mais aptos sobrevivem.
            Acordar do hipersono já é um simulacro de um parto, pelo sofrimento e a dificuldade em se respirar. A nave é um grande útero, uma arca de Noé, onde toda a esperança de vida está ali concentrada. O esquecimento é um sinal também de uma nova vida, assim como a reencarnação anuncia uma nova missão, com novo nome, com esquecimento de experiências anteriores. O local é misterioso e a busca principal é a da liberdade, sendo um deserto de metal coberto de feras mutantes e canibais. Esses mutantes foram aqueles que se adaptaram a nave e que sobreviveram, usando de sua porção reptiliana cerebral e se transformando em verdadeiros monstros. Lembra a porção mental que era chamada por Freud de Id, que é responsável por instintos básicos, como desejos, apetites, sobrevivência. Muitos dos tripulantes ainda não acordaram do hipersono, e aqueles que já acordaram, viraram a presa dos mutantes, sendo apetitoso menu. Parece mais uma analogia a colonização dos europeus e encontro com tribos indígenas canibais.
            Mas a fita é boa, o Pandorum me surpreendeu porque nos leva para um mundo paralelo, e essa ficção científica é inteligente, claro com os exageros e lutas de sempre, bem como efeitos especiais até que racionais. Os cenários foram bem bolados, e até convencem de se estar em um local para viagem interplanetária. Numa cena há milhares de containeres para alimentação, o que sugere uma preparação para a vida, uma luta para a sobrevivência sem igual. Ângulos de enquadramento de câmera também bem utilizados, um som que usa bem do sistema home theater, e ainda muitos closes. O protagonista parece ser o engenheiro mecânico, que leva bons tombos e por alguma falha não teve ossos quebrados, o que foi uma falha na produção. Mas a película deseja ficção, então exagerar em efeitos físicos pode ser uma linguagem para se seguir o ritmo do roteiro.
            Depois de muita luta e de o nosso Novo Adão encontrar uma mulher, esta muito forte e guerreira, e ter perdido antiga esposa, algo de bom por fim é descoberto e reacionado o reator da nave, que renova a esperança dos personagens. A arca de Noé do futuro assim chega ao novo mundo, mas leva a que questionemos se não junto a ela traz os mutantes e o vírus, Pandorum, para assim repetir a história. A história se repete de tempos em tempos, já falava Hegel. Parece que esse novo mundo apenas funda um ciclo que repete a trajetória do nosso, com a chamada Criação e seus Elohim, vida sobre um planeta e uma humanidade, com seus bons Abels e seus ruins Cains. Contudo a surpresa ao fim e o novo mundo é “descoberto” e as “índias” são novamente o destino, para que a esperança da humanidade se renove, com seus Noés e Colombos, com suas arcas cheias de embriões e mapas genéticos, com a tecnologia divina. Um novo planeta e uma nova humanidade – juntamente um novo vírus: Pandorum. Essa humanidade é o próprio vírus de seu planeta, essa é a minha conclusão.  


sábado, 11 de fevereiro de 2012

Semana cultural e Chaplin

 
 
SEMANA CULTURAL E CHARLES CHAPLIN


                Hoje é sexta-feira e estou feliz por ter feito algo que quase nunca faço... Mas durante a semana tratei de vários assuntos culturais e projetos de livros, bem como de curso que teremos com Rubens da Cunha, sendo contemplado a respectiva proposta. Mas o que interessa é que nessa semana fui ao SESC, e lá tinha uma mostra de cinema sobre curtas de Chaplin, que dispensa comentários pela sua genialidade. O que talvez muitas pessoas não saibam é que essas mostras de cinema do SESC são quase que mensais e de GRAÇA.. isso mesmo, de graça, para assistir em um projetor a obra prima de diversos produtores.
            Já e de um tempo que eu deveria ter assistido algo no SESC, mas antes por um motivo pessoal me afastava do local, por uma certa mulher louca por mim que trabalhava lá, que geraria problemas. Esta não mais se encontra no labor neste local e assim me vi mais livre a ver as películas de diversos diretores e produtores, longe do cinema enlatado e comercial que vemos dominar a cultura de certa superficialidade. Antes não víamos muita cultura no município, a não ser os já antigos grupos musicais e folclóricos da região, e com o SESC temos apresentações de teatro, poesia em ônibus, literatura infantil, fantoches e muita coisa.
            Fato é que Charles Chaplin em seus pensamentos disse que a voz no cinema teria matado a imaginação. E ele é mesmo o rei do cinema mudo. Quando pensamos em obras como esses seus curtas, logo vemos que o talento é superado ao se sugerir muitas coisas, e em cada cinéfilo há uma percepção única das cenas, não de forma esperada e massificaste. Obras grandiosas como O Grande Ditador e Tempos Modernos são coisas que jamais serão esquecidas na sétima arte. Mas o grande Carlitos não foi bem aceito nos EUA, e por algum moralismo sem sentido, depois retratado. Com sua bela esposa, trinta e poucos anos mais jovem, certamente esse homem desejava a vontade de vida e nunca parar de produzir e trabalhar. Pena em últimas obras ter saído de seu estilo e decaído na produção, tendo filmes com pouca bilheteria.
            O ponto central e ideológico de suas películas parece ser o humanismo. Vemos uma vasta crítica de valores sociais, a alta sociedade, ao consumismo, as máquinas vida moderna e tudo mais. Filmes como “Em busca do ouro”, ou “Tempos modernos” falam por si, enquanto outras obras, como O garoto, o qual possuo um quadro em casa, está mais restrito a alguma interpretação. “Vida de cachorro” e demais retratam a dificuldade que não é levada em conta pela sociedade, muitas vezes concentrada em quimeras. Em 1914 chegou a fazer 40 filmes! Então é um produtor cultural que faz circular a inspiração em sua própria vitalidade.
Fato é que essa semana foi especial, participei de preparativos para projetos culturais, e pareço participar de uns 3! E isso gerará grande mérito, para eu que como Chaplin não desejo parar de produzir culturalmente, já em meu décimo quinto livro, sobre esoterismo bíblico. Claro que um artista nem sempre é reconhecido, mas o prazer silencioso de seu íntimo perdura pelos tempos e sua eternidade de espírito. Sou assim um vagabundo intelectual, a semelhança do baixinho que deixou uma marca insuperável no cinema mudo. Parabéns ao SESC e a essa iniciativa.


 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Contatos de quarto grau

Contatos de quarto grau e deuses astronautas

            O
filme me pareceu de início um documentário. A atriz Milla Jovovich com seus belos olhos azuis começam relatando do que se trata e atrai a atenção. A personagem real que teve as vivências parece por outro lado, meio estranha. Mas o porquê de uma psicóloga procurar por respostas em pacientes que veem uma coruja não parecia de início algo muito atraente a quem assiste. Mas o centro da fita é a abdução por alienígenas, baseada em relatos reais e gravados, pesquisados e tudo mais, em uma cidade pequena do Alasca, chamada Nome, que parece um nome estranho, e onde só se chega de avião. Mas as cores são legais, gostei da matiz meio esverdeada ou cinza, o que me atraiu de início, apesar das cenas serem meio gravadas com closes sem emoção, e por Milla não imitar muito bem a protagonista original, que era um tanto de aparência melancólica.
            O centro da história é o fato de uma serie de pacientes, em torno de 300, acordarem à noite com o mesmo pesadelo: ver uma coruja, que não entrou por janela aberta, mas que misteriosamente ficava a espreita. Até que um rapaz, ao descrever, estando já hipnotizado, como os outros, que não era uma coruja, entrando em desespero e pulando do sofá, bem como outro que passa mal e vomita (tudo isso em paralelo as gravações reais, da psicóloga). Fiquei eufórico e achei que ela tinha filmado algum ET, mas não ocorreu. E Milla antes lutava com zumbis, em vários Resident Evil (eu achava bem mais assustadores os games...), mas agora a atriz se defrontava com possessões em pessoas que foram abduzidas (supõe-se...), e pelo menos nesse filme ela não luta que nem uma ninja ou fica sem roupa.
            O filme porém em certo momento toma outro rumo em sua narrativa. Aparece uma gravação da voz da própria doutora que se trata com amigo, e assim vem uma voz em língua da antiga Suméria. Isso em tom muito elétrico, parecendo uma voz mais do que diabólica, feito mensagem subliminar, mas pasme: sem tocar ao contrário, a voz aparece sem qualquer análise mais direta. Já vi certa vez as tais “transcomunicações instrumentais”, onde espíritos e extraterrestres falam por mensagens em gravações por aparelhos eletrônicos (livros antigos mostram imagens que se formam em TV's, com tais seres de outras dimensões), e isso se dava com muita dificuldade. Para imagens precisa de um efeito onde se desdobram em duas as imagens, e nas gravações aparece quando muito uma ou duas palavras, isso bem resmungado. Mas no filme a língua era outra. Um pesquisador descobriu e traduziram as frases, que no fim do filme retornam, com mais enfoque, numa conversa da psicóloga com a entidade (não vi ET algum..), e ela se diz ser Deus, e fazer experiências etc. O lado sombrio é que sumiu com a filha da doutora, e que até hoje ela nunca mais viu a menina.
            O filme tomou mais o rumo da paranormalidade que da ufologia, quando percebi aquele paciente que levitou da cama. Isso sim foi algo sensacional, um fenômeno paranormal filmado. Mas as vozes também poderiam ser xenoglossia, e a idade do alfabeto não importa, pela pamtomnésia, a memória de tudo. E o centro das manifestações não pareciam os pacientes, mas a psicóloga e sua hipnose, que despertava essas personalidades sombrias em seus pacientes, o que aqui sim poderia ser explicado pela ciência oculta como um demônio, pelo animal aparecer antes. Fato é que outros abduzidos lembram de fatos ao fazerem hipnose (regressão), e que falam de viagem a outros mundos, mapas dentro do disco voador, experiências e conversas com os seres alienígenas, com aparelhos para traduzir etc. Levitação seria psicocinesia e o resto seria criatividade inconsciente.
            Mas com tanto relatos de abduções, OVNIS, coisas estranhas e contatos, não seria de se duvidar que é possível haver algo. Eu sempre fui muito fiel na existência de mais seres inteligentes e humanoides que nós, e isso não sei se é espiritual, intraterreno ou extraterreno. A intuição me leva a essa certeza. E também vejo com desconfiança relatos de livros sagrados a respeito dos anjos, com cortinas de fumaça, sarças ardentes, carros de fogo, estrelas que se movem guiando homens e outros relatos, que de de longe perecem relatos ufológicos. Claro que contaos de primeiro e segundo graus levam a outras teorias, mas ao se ter relação de toque com ET's, e como aqueles homens descritos por Fídias Teles em seu livro O brilho cósmico dos vivos e dos mortos, onde tem contato até sexual com moças ET's, faz com que não se duvide. A proximidade do fenômeno vai revelando a verdade. Mas isso põe em xeque muito do que dizem as religiões, e já há religião que usa desses temas ufológicos como base de sua fé.
            Outro fato curioso é o filme invocar “Eram os deuses astronautas”, ao relatar figuras da suméria retratando foguetes, naves, máscaras de oxigênio e um deus parecendo coruja. Antes percebi apenas entidades ou espíritos porém naqueles pacientes, e sem técnica nenhuma para um contato, denunciando para mim um laço daquelas pessoas com a entidade em questão (pacto?). No mais os contatos com seres vários poderiam derrubar muito do orgulho humano, nesse tempo de ceticismo e materialismo, que acha que o segredo da vida está em ganhar dinheiro e colecionar bugigangas. O Contato de Quarto Grau é um filme que fará muitos pensarem em teorias diversas, mas os fatos paranormais estão retratados, e não podem sugerir fraude, uma vez que as filmagens são artesanais e com pessoas que até morrem ou se ferem na realidade, fato que ninguém armaria. A psicóloga acaba doente e em cadeira de rodas e a cidade ficará famosa pelo filme, talvez sendo um novo caminho a ufólogos curiosos, semelhante a nossa Varginha, e seus incidentes com quedas de naves e Ets marrons. A realidade no filme fez a diferença, pois na ficção se pode inventar, mas ali havia algo de muito estranho, e a “verdade está lá fora”,  como sempre se prometia no seriado Arquivo X. Será que estamos prontos para sair lá fora e conhecermos a verdade?