sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Filme O Santuário e a lei da sobrevivência

 FILME O SANTUÁRIO E A LEI DA SOBREVIVÊNCIA

                Mergulhar em águas no fundo de cavernas parece meio loucura – mas é disso que esse filme trata. Depois do diretor de Exterminador do Futuro, Alien - O oitavo passageiro, Titanic e Avatar, vemos agora James Cameron nessa nova empreitada, ou seja, no mergulho. Mas esperava eu muita aventura no fundo das cavernas, alguma novidade, talvez um ser de outro mundo, um “avatar”, ou um robô vindo do futuro, mas nada encontrei de extraordinário. Fica a emoção de um filme unicamente iluminado por lanternas e com muito contraste, bom para se testar a qualidade da imagem das TV's. O som não impressiona, nem parece ser em 6 canais.  De novo tem a ética defendida em caso de emergência – sobrevive o mais forte ou o mais capaz. De longe isso me lembrou Darwinismo e ainda a filosofia da Cientologia, seguida por muitos atores “hollywoodianos”, pela moda mesmo. A lei da sobrevivência é o centro da “fita” (só eu e o Zé do Caixão que ainda falamos “fita”...). Mas o filme vale a locação, para quem deseja algo mais racional e realista.
            O filme até no começo tem uma diversidade de temas, uma boa fotografia, animações de computador (CG), até a entrada na dita caverna. Segundo comentários de produtores, a caverna é outra, e as filmagens de helicóptero são mesmo de helicóptero. Depois na entrada que é “montagem”. Falando em montagem, para quem ver o filme e pensar: “onde ficam as tais cavernas?”, vai se decepcionar, pelas mesmas serem também em verdade uma piscina, e mais um outro lugar onde mergulham, bem menos expressivo, e ainda um quarto de estúdio e uma espécie de grande cilindro, por onde cai a água. No mais a “fita” tem momentos de desafio, um dos membros pega a doença da “descompreensão”, e assim morre no caminho. Outros vão morrendo, um a um (vários filmes têm essa temática...como O Cubo, série Alien, série Predador, 9 Vidas e outros menos conhecidos, muitos de suspense).
            Fato é que o líder do grupo em qualquer dúvida preserva a sua vida para sacrificar a de alguém, se faltar oxigênio, equipamento ou ameaçar o grupo. A lei da sobrevivência é assim a tônica, e o que nós juristas chamamos de “estado de necessidade”, que é protegido por Lei, a Lei que não defende a covardia, como li em um autor de Direito Penal. Isso é materialista, nada espiritualista, uma vez que em oposição vem a “lei do sacrifício”, lição dos mestres e adeptos, em especial de Cristo Jesus (Yeshua), onde há uma vida maior, além do mero corpo animal. E o roteiro se desenrola nessa aula de mergulho, com os equipamentos, cuidados especiais, regras em situações de emergência, e a relação de conflito pai e filho. Essa temática edípica novamente, e por fim acabam por se entender ambos, superando assim a dinâmica do macho alfa. Mas vale lembrar da lei de sobrevivência, principal doutrina da Cientologia, mais os mil questionários que se responde, em oposição a lei do sacrifício, tão ensinada pelos santos ao longo da história, como Santa Tereza, Santa Catarina, mesmo de outros cultos, como Gandhi e muitos outros. A lei do sacrifício é espiritualista, e podemos pensar na chave do Tarô do enforcado para simbolizar essa dinâmica para os iniciados e adeptos da senda mística. Já a lei da sobrevivência é uma visão do nosso tempo, de um psicologismo ateu, materialista e sem qualquer perspectiva metafísica. O filme é assim um mergulho nesse materialismo e mostra até onde nossa sociedade pós-moderna se afoga e se cega em suas cavernas envoltas de pedras e enganos. E a frieza, a frieza é um santuário – ou um purgatório...
            Enfim, nenhuma grande emoção, nem avatar de outro mundo, ou exterminador robô do futuro, ou grande navio afundando, o filme ficando assim na tranquilidade do mergulho em contraste com  as dificuldades do caminho, por ter de se procurar uma saída alternativa depois da grande chuva que ocorreu. Parece também um dilúvio, um mito renovado dessa perspectiva, e o Noé no fim existe. A dimensão ética é interessante, um “salve-se quem puder”, sem caridade cristã, sacrifício (a não ser a moça que presa pelo cabelo, o corta..), sem grande coletividade. A lógica ocidental é individualista e utilitarista. Esse filme mostrou o que somos, fez das águas que repousam em profunda caverna um espelho a hipocrisia. No mais não há grandes frases no roteiro, nem muita filosofia, apesar da relação de choque entre os mergulhadores e exploradores ser uma novidade no ambiente onde estavam. Há um outro filme de caverna (algo com “Inferno” no título), onde mulheres exploram e ficam presas, encontrando um ser primitivo e canibal, que foi um filme para mim mais emocionante. Mas aqui há apenas o mergulho e a descoberta dessa nova face das profundezas e entranhas da Terra, bem como as profundezas da psicologia humana, com sua lei da sobrevivência – tão forte quanto a sua sensível vida material e corporal.
           



quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Filme Atividade Paranormal

Filme Atividade Paranormal e sua análise oculta

            De
início parecia algo amador, mas com o tempo percebi que era essa a intenção. Talvez para dar mais realismo e contrastar o silêncio e fenômenos sonoros, para assim assustar as pessoas mais sugestionáveis. Dessa forma um filme de pouco investimento na produção se transforma em um sucesso. Mas Atividade Paranormal e sua continuação, que tem mais noções sobre espíritos, fazem as pessoas pensarem em um modo medieval, frente a nossa atual sociedade moderna, com sua ciência que diz saber tudo e soluções para a felicidade em consumismo e farmácia. No mais o filme parece um Big Brother sem as cenas de possíveis atos libidinosos ou festas com bebedeiras e provas de resistência. Aqui imaginamos fantasmas e coisas se mexem sem motivo aparente. A sugestão faz o filme e com a aparência de realidade vemos pelo menos algo criativo, frente a um cinema enlatado e de mesmice.
            Um parapsicólogo ao ver os fenômenos lembraria dos vários que já ocorreram na história, cujo termo é poltergeist. Casas onde móveis se mexem, lâmpadas queimam sem motivo, muito mofo, sombras, batidas, barulhos inexplicáveis, vultos, e mais muitos outros fenômenos, tudo isso já aconteceu em grande escala, e por isso talvez quem assista o filme tenha uma compreensão. Mas o exagero acontece e a desculpa do demônio (ou demônios) pareceu a tônica do filme, mas uma vez nos levando a visão medieval das coisas. Pessoas morrem no final e não se dá solução nem explicação a nada, em uma ignorância sobre a parapsicologia e mesmo sobre o espiritismo, este último colocando todos os demônios como nada mais que desencarnados, pessoas que perturbadas continuam a entristecidas incomodar os vivos. Quanto a parapsicologia, o fenômeno é de telergia ou psicocinesia, o pode da mente movendo objetos e isso de forma inconsciente, sem nenhum além, alma penada ou demônio. Um desequilíbrio emocional, alguém na puberdade e certo ambiente colaboram com o fenômeno, geralmente acontecendo em emoções muito fortes e uma luta extrema por sobrevivência. Mas na realidade o fenômeno existe, mas não há o teatro dos vampiros do final dos filmes Atividade Paranormal, nem os exageros da possessão.
            Eu sendo um ocultista, talvez pelo menos aproveite relacionar os fenômenos e criticar as classificações. Primeiro que todos temos um espírito que nos protege, ou uma energia, e isso é nosso Sagrado Anjo Guardião, que não permitiria tamanhas influências de entidades negativas. Segundo que pelo que vi no filme, estava claro ser um elemental de fogo, salamandra, pelo domínio desse elemento, primeiro no jogo ouija e segundo no fogão a gás, com tochas parecendo ter vida própria. Sobre ser um demônio, parece que não, uma vez que a relação com esses “deuses primitivos” está longe de nossa realidade, e poucos mexem com essas entidades, especialistas em goécia, e só. O demônio (daemon) não tem muita interação com pessoas simples, parecendo mais um anjo ao contrário (muitos deles conservam ainda o título de querubim, trono etc..) e demônios gostam de aparecer sobre forma animal, o que não aconteceu no filme. E julgar anjos de bons e demônios de maus foi obra de teólogos, e a coisa é mais complexa, supera esse moralismo maniqueista. Mas acertaram em colocar a criança e o cão no segundo filme, uma vez que estes têm mesmo maior contato com o astral, o mundo espiritual, e isso é pela experiência um fato, pelo menos para a criança que lembra desses fatos.
            Sobre a possessão, essa já ocorreu de forma semelhante, e muitas histéricas já o manifestaram, bem como pessoas que estavam internadas em manicômios. Para mim, grande parte desses fenômenos não se devia a espíritos exteriores, mas mais a uma personalidade da pessoa mesma, porém de outra vida (e outro sexo) que queria se vingar, atacar etc. O primeiro Atividade Paranormal tem uma relação entre o casal, e o segundo entre o casal e sua família. Um livro de Eleasar C. Mendes relata um estudo sobre essas personalidades subliminares e sua influência em casais e relações amorosas, bem como ataques. Seria no caso do primeiro filme um homem que em vida passada foi marido da protagonista e agora queria impedir o atual na “traição” dela, e isso acontece no plano espiritual. No segundo filme o evento ocorreu por fim com a adolescente, e confirmaria a teoria parapsicológica da maior incidência de fenômenos com essa linha etária, no caso poltergeist. Estranho que o filme não mostra nenhum vulto ou ectoplasma, o que na realidade ocorre quando há esses casos, e filmes existem na internet com tais eventos. Cena interessante é a criança levitando, e no mais um pouco de monotonia no filme. O estranho é que essa personalidade subliminar, um outro eu, de outra vida, queira se vingar e interfira na presente vida com crença de estar noutra vida, onde fatos eram outros, e com um poder paranormal. Vivos e mortos em interação, ou vidas que se somam, não se apagam nunca.
            Fato é que o perturbador é a falta de fé e técnica de defesa astral em ambos os filmes, e total desconhecimento das coisas. Poderia se chamar por exemplo sacerdotes de candomblé ou umbanda e a limpeza da casa seria feita e seu espírito maligno (quiumba), ou o da mulher, seria doutrinado para ter consciência do seu mal e libertar/libertar-se, com cantos e ervas sobre a casa ou pessoa. Ou um mago hermetista poderia dissolver a entidade astral com alguma técnica (Eliphas Lévi falou em livro sobre o fazer com uma espada..), e isso dentro de um sigilo, ou transportado para um cristal, ou ainda absorvido pelo mago mesmo. Mas muita técnica é exigida a esses exorcismos ( e um padre não mais saberia fazer...), tendo ainda os exorcistas de serem pessoas de elevada moral, purificados, com defesas, armas mágicas, paramentos outros, usar de círculo mágico, espada, punhal (ou tridente) e assim por diante. Não é tarefa fácil se livrar de certos espíritos. E nem brincadeira, e nem aqueles do filme teriam chance. Uma busca da fé já poderia dar o escudo, caridade, transformação. Pois a influência de espíritos é permitida por algum motivo pelas leis cósmicas. Se esse motivo desaparece, não há o porquê de continuar a possessão ou ataques astrais. Fato é que o filme faz refletir e a maioria das pessoas continua com o medo como única forma de lidar com os fenômenos, enquanto cientistas parapsicólogos, espíritas e ocultistas já o trataram em larga escala, há muito tempo e trocando o medo pela razão, pelo conhecimento e saber.



Breve
comentário místico sobre o filme “O Exorcismo de Emely Rose” e seu “segredo”
Por Mariano Soltys                                                                 
Filósofo, escritor e advogado

O filme é mesmo baseado em fatos reais, mas de outros exorcismos, como os que encontramos em arquivos e livros.  O equívoco é que a possessa falava espanhol, não aramaico ou grego, línguas citadas neste e preferidas por um inconsciente mistificador, em estado histérico ou mesmo de auto-hipnose.   Que a moça era epilética, um médico chegou a afirmar no começo do julgamento do padre, e, isso não pode ser matéria para a parapsicologia, uma vez que a explicação preferida é sempre a mais simples, como já relatou Quevedo.  Para quem teve contato por leitura dos casos relatados por Freud, logo percebe na personagem do filme uma histérica, como sintomas claros de paralisias, ataques nervosos, frente ao especial estado emocional ou mesmo trauma sexual, uma vez que a moça era de uma família de moral “rigidíssima”.  Antes das descobertas de Breuer, possivelmente essas moças histéricas fossem julgadas de possuídas por algum demônio, um entre uma meia dúzia de famosos, no caso do filme, Belial. O fato de que ela falava muitas línguas encontra inúmeros casos semelhantes nas pesquisas psíquicas e parapsicológicas, em especial por um fenômeno chamado de Xenoglossia (falar línguas), combinado com pantomnésia (memória de tudo), e ainda hiperestesia (sensibilidade de leitura de pensamentos por movimentos da corda vocal, sem fala), havendo casos na obra “A face oculta da mente”, de Quevedo (1968, p. 113 e segs), onde uma menina fala chinês sem qualquer contato com aquela língua, outra moça fala grego com citações de Platão, outra inventa uma língua nova, tudo fruto do inconsciente, não de demônios e espíritos do além.  Mesmo que a moça paranormal não falasse essas línguas, poderia captar por um terceiro, um professor conhecedor das mesmas, no caso por hiperestesia. No caso dos objetos se movendo, são claros fenômenos de telecinese (ou telergia, psicocinese), pois as coisas caindo, cobertores se movendo etc, revelariam tal fenômeno, sempre inconsciente e involuntário, da própria Emely. Falar em demônios é um pouco distante da verdade e da ciência, sendo pouco louvável ser utilizada essa tese pela advogada, a qual com tal ato ratificaria o crime de curandeirismo e charlatanismo, que seria a de sobrepor a ciência e provas observáveis por coisa que não se devem ligar a ciência, como a religião. A psicologia e psiquiatria resolveriam em parte o problema, talvez com necessidade de internação, o que não ocorreu pelo que observamos no filme.  O caso seria da parapsicologia, mas nenhuma referência foi feita a nova ciência. Se aceitarmos a teoria espírita, o caso seria de espíritos de mortos, de baixa vibração, brincalhões ou de um criminoso, querendo se vingar da moça ou de sua família. Um ocultista[1] veria no caso um clássico caso de íncubo, espírito que se aproveita sexualmente de jovens inocentes, ou mesmo um cascão astral ou Elemental, entidades diversas de espíritos de mortos. Casos semelhantes são citados por ocultistas como Marcelo Ramos Motta, em seu “Ataque e defesa astral”, onde uma moça sofre um ataque de magia negra, tendo fenômenos semelhantes ao de Emely Rose. Demônios são mais poderosos e não perdem tempo com moças inocentes, não sendo exorcizados por padre sem conhecimento mágico ou cabalístico.  Certo ramo da parapsicologia chamaria os espíritos de subpersonalidades e personalidades intrusas (Dr. Eleazar), as primeiras partes da própria jovem. O filme não inova e vale a pena pelo julgamento, que leva ao questionamento, apesar da ineficiente condenação.





[1]Ver obras de Stanislas de Guaita e Eliphas Levi, “Templo de Satã” e “Dogma e ritual de alta magia”.

DO SITE

NESSE SITE REUNI ARTIGOS ONDE COMENTO FILMES COM BASE EM FILOSOFIA, LITERATURA E QUE TENHAM ALGUMA RELAÇÃO CULTURAL. NÃO ME PREOCUPO COM FAMA DAS PRODUÇÕES NEM SE AGRADAM OU DESAGRADAM. AQUI REUNI APENAS ALGO QUE GOSTO E PROPONHO UMA CRÍTICA DIFERENCIADA. VEJA E CURTA.