segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Robocop versus Exterminador do futuro e Asymov


ROBOCOP VERSUS EXTERMINADOR DO FUTURO E ASYMOV





                Desde que o grande autor de livros de ficção científica, Isaac Asymov escreveu sobre robôs e novas tecnologias, muita coisa já estava pronta para ser usada no cinema. Muitas previsões foram feitas por esse autor, como os computadores de mão, que na sua época ocupavam um espaço de estádio. Mas do pesadelo de uma noite de James Cameron, o diretor de Titanic e Avatar, surgiu sua primeira obra prima: “O exterminador do futuro”, com ninguém menos que o fisiculturista e recente governador, Arnold Swarzenegger, que era um robô assassino vindo do futuro. Sorte vir um homem do mesmo futuro, com fama de salvador da humanidade, e ainda Sarah Connor, que teve recente seriado, na homenagem da mulher corajosa, para unir forças a combater o anticristo do futuro. Também Robocop serviu de modernização do arquétipo do messias, e muitos o chamaram na época, década de 80, de Jesus americano. Ambos imortalizaram no cinema o mundo dos robôs.
            Na obra de Asymov surgem uma série de robôs, com diferentes funções. Contudo são bem humanizados, e segue regras rígidas, sendo a primeira lei da robótica não ferir ou matar seres humanos. Já em Robocop e Exterminador do futuro se veem essas leis da robótica descumpridas. Já discuti esses aspectos filosóficos em um livro chamado Crítica da Razão Cibernética, em coautoria com Cléverson Israel Minikovsky e inspiração de nosso amigo Patrick Vicente. Assim devemos pensar até onde Robôs que imitam sentimentos e humanidade podem ter direitos, e até onde podem interferir em nossas vidas? Em Asymov essas questões foram amplamente discutidas, inclusive em contos onde os robôs desobedeceram a primeira lei da robótica.
            Fato é que em Robocop há uma série de analogias onde o policial herói Alex Murphy se vê repetindo eventos cristãos, como a morte por tiros onde estava com corpo gesticulando uma cruz, bem como numa possível reação contra inimigos criminosos onde passou por espécie de batismo em águas. O cinema tem muitos desses símbolos e isso que dá um encanto maior as produções, que têm muito mais do que mera busca de bilheteria. O Robocop também guarda grande carga de humanidade, lembrando fatos de seu passado, indo procurar ex esposa e assim por diante. Todo o caminho de Murphy está traçado pelo amor, mesmo vestido com a armadura cibernética. A vingança ou justiça é feita e o robô policial quebra também suas diretrizes para superar inimigos, dentro os principais, seus próprios fabricantes.
            Já em “Exterminador do futuro” o robô está como antagonista, e os seres humanos precisam combater seus automatismos. Surgindo para eliminar Sarah, haja vista ela ser mãe de um futuro salvador da humanidade, ele vem como anjo da morte, espécie de cavaleiro do Apocalipse. Essa analogia não fui eu que inventei, mas está no recente seriado. Também não se trata de arquétipo do masculino, uma vez que na terceira versão da série, o robô é feminino. Vemos em Sarah a mulher do presente e futuro, vencedora de antigas dominações, emancipada. O filme ganhou prêmios de efeitos especiais, e a versão de DVD tem o som excelente para se testar home theaters, haja vista o perfeito envolvimento em multicanal. O robô parece indestrutível e o final é surpreendente, coisa que em filmes não vemos sempre. Há um romance e esse trabalho de Cameron foi comparado na época depois com o Robocop. AS mitologias são bem diferentes, mas tem sempre a influência do cristianismo. E Asymov também pode ter servido de inspiração, uma vez que na década de 80 não havia robôs, e mesmo hoje apenas vemos em vídeos japoneses. Fato é que são ótimos filmes que não exageram, usando efeitos mais realistas que os atuais, de computação gráfica. Com o olhar certo, os filmes guardam grandes lições e são bem inteligentes, apesar de aparentar serem infantis.  

sábado, 22 de dezembro de 2012

Dr Jivago: paixão e a luta de classes

Doutor Jivago: paixão e a luta de classes




                Esse filme de David Lean é o melhor de todos. Com fotografia que faz abrir a boca e som que igualmente nos coloca no clima do drama, fato é que para mim tal obra teria de iniciar este livro. Com atriz premiada, Julie Christie e Geraldine Chaplin, esta última filha de Charles Chaplin, o filme foi indicado a 10 Oscar e ganhou 5. Mas começa com um jovem casal formado por irmãos, ele adotado, e assim o Dr. Jivago já estava em seus estudos de medicina e sonhos retratados em poesias. Mas com a Revolução Russa a coisa mudou, e aqueles das classes altas tiveram que ter em suas mansões o povo como hóspede: na verdade não eram mais donos de nada.
         O Jivago vai para a guerra e conhece Lara (Julie Christie), bela loura que hipnotiza com sua graça. Ela é enfermeira e ele médico, e ambos ajudam muitas pessoas em meio à guerra. Amigos ainda. Ou mesmo que com um inocente caso, ele antes casado com sua irmã de criação, agora se vê frente a uma paixão não programada, real paixão. Ela que namorava um revolucionário, depois espécie de ditador, e ele cheio de sonhos retratados em seus versos áureos, mas distantes da luta de classes a que se envolvia sua terra.
         O filme é um longa. Então prepare a paciência e entre no clima. Ás vezes com neve e muita batalha, sem contudo chegar a ser um filme de ação. Também um filme que vai de um livro encontrado do médico, até a história em tempo real dos fatos que envolvem esse dois amantes. Mas não é um filme centrado nisso, mas nos leva a viagens de trem, a revoluções e emoções não presentes em outras produções. O filme vai além de O vento levou, com o tema da guerra, e muitos da crítica diziam ser apenas paródia da Guerra Fria.
         Mas enquanto houver mais valia, participações irrisórias de lucros, salários baixos e toda a gama de reclamações sindicais, haverá assim a luta de classes. Pois os donos dos meios de produção serão os mesmos, e o capitalismo ainda é o meio mais sintonizado com as pessoas, que gostam de ter coisas, que na verdade são o próprio “ter”. E no comunismo ninguém tem nada, além dos burocratas, então o sistema não vinga. Claro que alternativas sociais como Kibutz israelense pode funcionar a fim de eliminar a fome, mas sempre as paixões falarão mais alto. E Jivago e Lara nada mais representam que a crise existente em relacionamentos que não se sustentam, em sonhos irreais que se rompem frente à verdadeira essência das coisas, no caso seus mais íntimos desígnios. Isso se simbolizou pela paixão. Assim eles desafiam um ditador, passam por guerras, dificuldades, fome, frio, tudo isso em paisagens mais do que belas, numa obra prima do cinema. O filme resumo o sonho do poeta, bem como do médico, na cura maior, na liberdade e vitória sobre a opressão e ditadura.

domingo, 18 de novembro de 2012

Buñuel e Diário de uma Camareira


O diário de uma Camareira de Buñuel e o politicamente correto



            Buñuel é conhecido por seus filmes surreais, especialmente aquela cena do olho vazando, sendo referência em cinema cult. A presente película porém é o que menos tem essa dimensão surreal, por isso mais acessível ao grande público. Trata da história de uma camareira chamada Celestine que consegue fama numa cidade, quando muda-se para trabalhar em casa de família Monteil. Ela tem já certo destaque em relação a outros empregados e revela sua dimensão namoradeira ao conhecer os homens da cidade, em especial seu patrão (que quando não está caçando animais, caça mulheres, segundo o filme...), e, que tem mulher frígida e seu companheiro de trabalho na casa, que a pede em casamento. O filme tem momentos engraçados.
         Destaque fica para o pai do patrão, o qual possui o fetiche de observar sapatos de mulheres, pedindo para Celestine satisfazer sua tara. Também esse senhor parece ser colecionador de coisas estranhas, como fotografias, pelo que parece. A fotografia do filme é muito boa e a versão que presenciei é em preto e branco, o que limita certos detalhes do figurino. Mas Celestine é o arquétipo de Vênus, atraindo amores e interesses de casamento por onde anda. Mas algo começa a desafiar a trama: seu companheiro Joseph é suspeito de estuprar uma pequena menina.
         A menina chamada Claire vivia na casa e ia para a mata colher caramujos. O Joseph, empregado da casa, passava pela estrada a fim de levar coisas em carroça, quando presenciou a desprotegida menina e a abusou. Tal fato se assemelha muito a história de chapeuzinho vermelho dos irmãos Grimm, apesar de menina ser ainda uma criança. Essa cena que se revela desafiadora, por apenas ser mostrada com um porco correndo atrás de um coelho, o que foi o substitutivo simbólico e surrealista a cena da violência, que não existe. Apenas Celestine desconfia de seu companheiro e o entrega a polícia.
         Ocorre de ela ainda namorar um outro homem, seu vizinho e ex militar, Mauger, que é arco-inimigo do seu patrão. Fato que tanto esse vizinho quanto seu marido simbolizam as ideologias de esquerda e extrema direita, raciais e tudo isso. Fica claro nos diálogos que isso revela as mazelas e hipocrisias da sociedade francesa, bem como de todas as sociedades, pelo que busca no politicamente correto e desse em contraste com a realidade, envolta em imoralidades.
         O filme foi baseado em um livro de mesmo título, mas que foi bem mais polêmico em seu tempo, e que também mais engraçado, segundo a crítica do filme. Outrossim, resta a beleza e o deboche de Jeanne Moreau pra compensar essas faltas na adaptação. Também o filme é bem inteligente e se revela algo diferente dos outros trabalhos de Buñuel, bem mais polêmicos. Suas desavenças com a Igreja, exceto em Nazarin, fizeram do produtor alguém que se tornou referência no mundo do cinema. Mas o filme vale à pena e se revela em uma das obras primas, uma vez que no geral vemos apenas clichês e obras repetidas na sétima arte, ficando raros os filmes mais marcantes. Vemos que o politicamente correto e o luxo escondem muitos segredos por trás das cortinas, o que o filme revela de forma sutil e bem humorada.



quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Filme Demônios e as 5 garotas paranormais


Filme “Demôn†os” e as cinco garotas paranormais


         Esse filme me impressionou, por conter cinco garotas que são internadas em espécie de colégio super controlador religioso, quase um convento, com direito a orações forçadas durante o dia todo, castigos e grades. Elas sofrem na mão de uma diretora sádica e aos poucos vão revelando seus poderes paranormais, além da verdadeira face, que pode ser outra, mas benéfica do que o imaginado. Mas uma surpresa vem quando o padre é atacado e as coisas fogem do controle, frente rituais da diretora e a participação de fantasma de uma moça que se suicidou e de um poder maior, da velha Legião (de demônios) relatada na Bíblia.
         No começo o padre enfrenta uma moça possuída, e logo o filme já segue os clássicos de exorcismo, mas indo além, por conter cinco moças, ao invés de uma. A moça assim desapareceu misteriosamente, com corpo e tudo. Passaram alguns anos e essas novas internadas chegaram, de modo que todas são espécies de menores infratoras, porém com um traço incomum: são virgens. Esse paradoxo revela a finalidade do ritual da diretora, que deseja trazer devolta a moça que se suicidou, com ajuda dos demônios, ou da Legião, que chega a falar com o padre.
         Parece que a coisa do filme estaria nessa teologia de demônios espulsos por Jesus em porcos e na vitória do padre. Mas as coisas desenrolam diferentes e a boa interpretação de Ron Perlman e Jennifer Miller fazem do triller algo além do clichê. Assim cada moça tem sua habilidade, uma tem telecinesia, outra apesar de cega, lê cartas, e outra consegue curar por imposição de mãos. Um filme para nenhum parapsicólogo colocar defeito.
         Os equívocos ficam por conta dos rituais, do pentagrama positivo, da troca feita de modo estranho, de Legião (que é união de diabos) ser confundido com demônios 9que é diferente, segundo Andranamum, que escreve sobre o tema e contatou a tal Legião, que se chama também “Tetrix”, e parece ser união de egos perversos, mas humanos (não de anjos). Também o padrão 5 é um padrão de Marte, de guerra, não de retorno a vida, que deveria ser de Vênus ou Lua, ou de Deuses de ressurreição, como Osíris, ou alguém do Vodu relacionado a Zumbis, o que não foi caso do filme. Assim falta de informação sobre ocultismo.
         Mas no geral o filme traz grandes eventos e todas as moças ficam possuídas, o que revela uma diferença dos filmes de exorcismo, e sendo que o padre se vai também, apesar de restar apenas uma moça das 5. Legal também é que a curandeira que tem a vantagem, podendo se recuperar dos ferimentos ocasionados pela Legião. Mas no geral um filme que prende a atenção, bem legal e que é diferente dos outros. 

domingo, 21 de outubro de 2012

Filme Labirinto do Tempo e o eterno retorno

Filme Labirinto do Tempo e o eterno retorno


“Não espere pelo Julgamento Final. Ele acontece todos os dias” (Albert Camus). Assim começa esse filme, que foi além do esperado, com um roteiro envolvente e fatos inesperados, bem como uma demonstração de criatividade. Três jovens assim estão em uma espécie de reformatório ou prisão para menores, dois rapazes e uma moça adolescente, de modo que os mesmos estavam ali por traficar drogas e se envolver em encrencas. Para tanto, em meio a rotina de frustrações e desavenças familiares, abandono e total ceticismo, acontece algo extraordinário: levam um choque misterioso via corrente elétrica, e os dias começam a se repetir, um dia que não muda. Todos os acontecimentos, ipsis literis, fato a fato, se repetem. A hora de acordar, o bullyng de um colega de instituição, a moça sentada na mesa de refeitório. De longe me anunciou a doutrina de eterno retorno, dos gregos antigos e depois usada por Friedrich Nietzsche.

Os dramas são os seguintes: a moça deseja ver o pai antes que esse faleça, pois sabe que ele irá morrer a cada dia que se repete, que se trata do dia do óbito. Outro rapaz tenta fazer pazes com irmã, e outro tenta com o pai, que está em penitenciária, o odiando. Já Nietzsche fez a reflexão de ele ser um demônio e cada dia se repetir, todas as coisas, e todas sem exceção. Lembra algo também de doutrina de metempsicose, e se não me engano alguns gnósticos tem a doutrina de se reviver dramas nesse mundo. Mas no filme de princípio os três têm boas intenções ao saber o que vai acontecer durante esse dia, como ajudar uma menina que vai se suicidar, e tentar alterar acontecimentos para melhorar. Mas depois assaltam loja de bebidas, agridem um traficante, um deles comete crimes, até ameaçam se matar entre eles, os três viajantes do tempo. Mesmo a moça irá até cair de barragem de hidrelétrica para provar que não morre, que no dia seguinte tudo se repete, pois o dia se trata do mesmo.

O título do filme já leva a ideia de repetidores, então fica já clara a intenção. Também que o julgamento final sempre vem, uma vez que a justiça divina ou cósmica independe de nossa vâ consciência humana em atual estágio evolutivo de noogênese. Mas o final é surpreendente e até desejamos que justiça seja feita, e que esses três jovens não aprontem mais, sabendo que o dia seguinte sempre é o mesmo, sem consequência. Aqui também se vê uma quebra da lei da causalidade e do karma, coisa que também não basta se inventar. Por fim a lei fatal opera, e o mais levado acaba por ter a justiça que merece. Por isso da metempsicose ser doutrina boa, porque há sempre a justiça nas vidas que se repetem. Não está ainda pronto o homem para o Juízo Final, menos ainda para a ressurreição. Mas já pensei, como Camus, que esse ocorre todos os dias, e deixar para último momento pode ser por demais severo.

No mais o filme exercita a memória e percebemos as coisas que podem ser mudadas e se repetem. Também esperamos qual será a proeza que os protagonistas farão no dia seguinte, sabendo que tudo se repete. Não há assim lei, nem morte, nem consequência – tudo se repete. Uma doutrina do caos também se pode ser observada, e isso está muito em moda. Não há ordem, todas as coisas estão ao acaso e tudo é permitido. Sorte o fim do filme não defender a tese até o fim, e assim vemos a justiça do Cósmico operar, mesmo com esse lapso de livre arbítrio que foi dado pela repetição da vida.



domingo, 14 de outubro de 2012

Filmes Aliens e Predadores

Filmes Aliens e Predadores



         Para quem gosta de coleção, basta ver os filmes da série Alien e da série Predador, para que viaje a outros mundos e realidades. Vi os dois da primeira série, o “Alien: o oitavo passageiro” e o “Alien: o resgate”, esse último muito elogiado pela crítica, o mesmo produzido por nada menos que James Cameron, aquele do Exterminador do Futuro, Titanic e Avatar. Já nos Predadores, há uma grande pedida para testar sistemas de som e home theater, uma vez que o sistema de áudio desses filmes é exemplar, tudo em 5.1 e alguns em DTS e se Blue-Ray, em Master Áudio. Mas os filmes são excelentes, misturam ficção e terror, mas sem apelação.
         Vemos uma mitologia própria nos aliens, mas sem lançar mão de informações de Däniken, escritos sumérios e gravuras arqueológicas, que fazem a base das naves e cápsulas dos habitantes do espaço. Sua superioridade em relação aos seres humanos sempre é evidenciada, e mesmo o forte Swarzenegger no primeiro Predador, apanhou muito. Fato é que em “Alien: o oitavo passageiro” há uma nave comercial e recebe uma mensagem sonora de um planeta em Zeta Reticuli, que para qualquer ufologista sempre foi o local de onde alguns Ets disseram ter vindo, e assim ficção se mistura com alguma realidade. O sistema desses bichos do céu é meio de parasitas, eles nascem do ventre das pessoas e têm estes uma grande rival: a mulher Ripley, que como todas as desses filmes, ou quase, tem comportamento masculinizado, levando uns a crer em lesbianismo. Mas apenas revela em parte a Nova Era, que já era prevista nesses filmes na emancipação feminina, só isso.
         Também os aliens têm sangue de ácido, o que dificulta sua morte, haja vista as naves serem feitas de metal. E os predadores, seus inimigos, tem visão de infra vermelho e usam armaduras que trazem invisibilidade, tirando a chance assim dos sensíveis e indefesos seres humanos de os vencer. Claro que todas essas histórias revelam a sintonia com mitologias e religiões, uma vez que Deus ou Deuses são por óbvio mais fortes e poderosos que seres humanos. Mas em Alien 3 a Ripley já namora no começo e tira a dúvida sobre sua natureza sexual, e já no segundo ela tinha filha etc, o que revelava não haver dúvida. Apesar de que no 3 ela está de cabelo raspado.
         Já nos predadores, que são muitos, incluindo as versões de “Alien versus Predador”, há uma qualidade de efeitos especiais muito boa, e pirâmides e outras coisas que fazem sintonia clara com civilizações como a Maia e a Egípcia antigas, e sua superioridade em relações a nações outras. Isso sem falar no filme Predadores, onde estão as pessoas em outro planeta, numa selva, o que os coloca como predadores do mundo e da natureza, outra ótica. Revela sempre a inteligência o o instinto necessários para vencer esses inimigos demoníacos, e mais uma vez nos vemos em algo medievo.
         Muito interessantes os robôs e os efeitos especiais e sonoros desses e dos predadores, que fazem funcionar sistemas de home theater e cinemas. Também as naves e os seres são bem produzidos e sem efeitos de computador no geral, o que traz mais realidade ao filme, melhor que muitos que desejam o mesmo fim. Vemos ainda em filmes semelhantes, como o que comentei, Pandorum, e mesmo no Prometheus, versões com a mesma tônica. Fato é que não estamos sós e que os antigos não eram idiotas a ponto de inventar seres do céu e monstros, mas apenas relatavam fatos, do seu modo de ver. Apenas vemos aí uma cosmovisão tão verossímel quanto a dos teólogos, religiões e mitologias, apesar da atualização e modernização. Mas são bons filmes, e os melhores no que tange a ficção científica.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Filme "O desafio das águias" e Maquiavel


Filme “O Desafio das Águias” e Arte da Guerra maquiavélica


                Apesar de todas as mazelas que vimos na 2ª Guerra Mundial, bem como mentiras e promessas vãs, ocorreu de demonstrar a grande inteligência humana, mesmo que para a perversidade. Nesse filme onde estrela Richard Burton e Clint Eastwood, vi um bom trabalho de enredo e representação, apesar de ser meio duvidosa a reação alemã, a qual quase não ocorre, a atividade desses espiões britânicos vestidos de germânicos. Faltavam filmes de guerra propriamente ditos, e esse pra mim tem muito de 007 e não pegou o mal ainda da Computação Gráfica, exigindo assim grande trabalho de dublês. Um dos melhores filmes sobre a guerra que vi.
            Já vi outros filmes mais atuais sobre a Segunda Guerra, se é que não é continuação da Primeira, e antes eu usava mais para testar sistema de home theater, como em “O resgate do soldado Ryan”, ou outros filmes, como “Uma batalha no Inferno”, onde há desfile de belos tanques de guerra, ou “A vida é bela”, que mostra de forma leve campos de concentração, onde há também bom trabalho, mas já estando muito batida a suas críticas e análises. Nesse filme que agora comento, há todo um trabalho de inteligência e espionagem, o que me interessou, haja vista ser trabalho da arte da guerra, filosófico, digno de um Sun Tzu e de um Maquiavel, este último mais próximo de nosso mundo. Na “Arte da guerra” de Maquiavel há uma série de estratégias de guerra, bem mais reais do que aquelas que vemos em filmes.
            Disse Maquiavel: quem tem mais amor à paz que o soldado? De certa forma vemos no protagonista do filme um sujeito que procura em sua namorada, a bela loura que o auxiliava, e também muito inteligente, a enganar os alemães e resgatar o prisioneiro britânico, que tinha informações sobre “O Dia D”, o que poderia alterar os rumos da guerra. Desse modo uma guerra para a paz, e para curtir a loura (não a cerveja...) apesar de estar em território teutônico. Interessante o castelo onde estão os alemães e a inteligência para se chegar ao mesmo. Disse Maquiavel ainda que a guerra se mede com a tropa e com o dinheiro, e quem os tiver vencerá. Vejo que foste pelo castelo alemão, onde apenas se chegava de bondinho, isso nos Alpes, era uma demonstração clara do seu poder e riqueza. Também o grande número de veículos e o helicóptero mostravam a vantagem aparente alemã.
            Maquiavel ainda fala da distinção entre vida civil e vida militar. Observando a época dos anos 40, fica claro que a guerra era de todos, pois não só soldados estavam envolvidos. No filme se nota a participação de mulheres, e ainda a indústria que movia a mesma guerra, certo progresso científico. Automóveis, bondes, aviões, tecnologias, rádio, TV, medicina, tudo isso surgiu lá, e usamos em nossa vida civil. O filme foi um pedido do filho de Burton, e ele queria ver o pai em um filme de ação. Parece mesmo um 007, em alguns momentos o filme. Já Eastwood disse que foi o filme que ele mais matou pessoas, apesar de antes ter feito tantos westerns.
            E Maquiavel ainda fala em República Romana, o que nos dispensa comentários. Vemos que Roma teve por ideal a arte da guerra, enquanto a Grécia antiga gostava da arte da filosofia. O filem demonstra várias estratégias inimagináveis, e cada vez mais não consigo imaginar onde eles levaram tantas dinamites. Difícil entender que tudo estava em uma mochila. Também que não consigo imaginar alguém que fale alemão sem o ser, então mais que suspeita essa missão “britânica”, ou norteamericana. E Maquiavel cita bem um provérbio: “ A guerra faz os ladrões, a paz os enforca”. Nada mais verdadeiro com relação ao que observamos, em buscas por petróleo, mais modernamente. Mas o filme traz uma nova opção para o cinéfilo e garante diversão, em perseguições e cenas inteligentes, como a do agente britânico tentando convencer inimigos que é da SS e noutro momento que eles fazem conspiração para matar Hitler. Valeu a regra maquiavélica por fim, e esse filme tem muito de diferente dos outros do gênero.

sábado, 4 de agosto de 2012

Filme As Mil palavras

Filme “As Mil Palavras” e a voz do silêncio



         Essa película em que está estrelando Eddie Murphy é uma bela comédia onde um agente literário (procuro um que me apoie um dia...) se vê como um homem rico e de sucesso, com bela esposa e uma filhinha recém nascida, procurando entender o mundo sem qualquer transcendência ou espiritualidade, sendo ainda um homem que não controla a língua, por demasiado loquaz. Assim encontra ele um místico e decide conquistá-lo para ganhar dinheiro, pedindo que esse escreva um livro. Ocorre que ele lhe escreve um de apenas 5 páginas e ainda revela uma árvore que iria mudar a sua vida, com potencial mágico.
         Essa árvore que encontra o grande agente literário o revela um segredo: para cada palavra que ele fala ela perde uma folha, de modo que ao fim morreria e levaria o Murphy junto com ela. Desesperado ele tenta procurar linguagem não verbal e se manter quieto, e assim perde a esposa e o emprego, e praticamente tudo, chegando ao desespero. A árvore fica clara como uma árvore da vida, onde está Deus, não sendo Este, mas revelando a possibilidade dessa dimensão no homem, sem a qual não possui alimento espiritual. A comédia assim ganha grande conteúdo ao nos levar a um cinema mudo, já tentado por Mr Bean em seus seriados e filmes, o que coloca a qualidade uma forma de citação de Chaplin.
         Não gosto muito de comédias, mas os filmes de Murphy sempre tiveram um diferencial, e via eu em seus policiais dos anos 80 os melhores, por misturar essas culturas, trazer muito de saberes orientais e fazer uma ponto com a malandragem da periferia norteamericana. Naqueles havia sempre uma certa inocência, algo com o qual me identifiquei. Aqui no As Mil Palavras parece que se voltou a isso, e assim saímos daqueles clichês de comédia, que muito fazem com base em preconceitos e descriminações, o que não me agrada.
         O filme em suas últimas cenas tem boa fotografia, os roteiros estão bem bolados e o elenco leva bem a comédia, o místico convence e as comparações com riqueza e sucesso e seu lado efêmero ficam claros, pois o homem tem de buscar a Deus quando o seu dinheiro não mais serve, e quando perde as pessoas que ama. O centro da história era fazer as pazes com seu pai, o que teve de fazer em âmbito espiritual, e que garantiu paz interior, e o silêncio de sua voz interior falou mais alto, demonstrando o poder das sábias palavras, que não se encontram em loquacidade. Helena Petrovna Blavatsky, fundadora da Sociedade Teosófica tem uma obra chamada “A voz do silêncio”, e lá vemos bem essa lógica espiritual superando a material, e na meditação, como na oração, vemos que o silêncio toma poder, e revela que Deus precisa de um vaso vazio para ser preenchido, e o homem moderno com suas mil ocupações não dá espaço para a metafísica adentrar em seu coração.
 As Mil palavras, por fim, quase levaram o homem para a ruína, mas para sua graça e superação da desgraça, superou os problemas. Tudo com muito humor. Um filme bom para elevar o astral.

sábado, 28 de julho de 2012

Filme O preço do amanhã

FILME “O PREÇO DO AMANHÔ E O DARWINISMO



            Esse filme é uma ficção científica de boa originalidade. Com o cantor Justin Timberlake essa película surpreende por ser mais parecida com antigos filmes de ficção. Até os veículos são antigos, apesar dos seus roncos futuristas. O personagem e protagonista Will  é um cara pobre que precisa trabalhar para sobreviver, literalmente, pois nesse mundo em que vive há um relógio no punho de cada um, e muitos não tem mais que um dia de vida. Um milionário do tempo, com mais de um século de vida ficou desanimado e deu seu tempo a Will, de modo que se suicidou por não ver mais motivo na vida. 
         Os ricos praticamente possuem a eternidade nesse filme, e os pobres estão na iminência de sua morte. Cada ato é pago com tempo e muitas vezes não resta, sendo a morte fatal o fim, como ocorreu com a bela mãe de Will (mais jovem que ele na aparência). Então há pessoas com 60 anos, 80, e aparência de 30, 25, coisas que seriam o sonho das pessoas que temem o envelhecimento. Will assim passa as diversas fronteiras do tempo (lembra as faixas do livro Divina Comédia..) e chegando naquela área dos ricos e eternos, encontra a filha de um banqueiro, com quem tem um romance, um amor proibido. Ela encontra seu amor bandido, porque Will é procurado por roubar tempo. A polícia diz claramente não buscar a justiça, mas sim ser guardiã do tempo.
         Fato é que ao jogar poker com o pai da bela moça, se vê o protagonista ainda mais rico e eterno, sendo que ele se banha com ela no mar, momento romântico de nudez e entrega. A filha do banqueiro se aventura assim e se arrepende, por ter se entregue ao desejo. Will é detido mas consegue fugir, e leva de refém a filha do milionário. Ambos são assaltados e têm pouco tempo de vida. Isso lembra o acasalamento de animais referidos por Darwin, onde a competição e a vitória dos mais aptos garante a sua reprodução. No âmbito humano vemos essa seleção natural por outros meios que não pela força, mas as barreiras sociais não são empecilho. Will em atitude heroica, barganha tempo para o povo e deixa louco o banqueiro do tempo, e nessa atitude Robin Wood ele se transforma no bom bandido.
         Vemos que o filme impressiona pela originalidade e pela criatividade. Vivemos tantos clichês no cinema que fica difícil achar um filme diferente. Aqui há esse drama de ser escravo do tempo, e tempo é literalmente dinheiro. O capitalismo é darwiniano como o próprio antagonista confirma em sua fala. Há boa fotografia, o roteiro está bom e o filme tem um ar de dualidade, quando por um tempo está na riqueza e beleza, e noutro na escravidão e feiura dos pobres. Tal relógio no punho me lembrou a marca da Besta e algo diabólico. Fato é que o herói superou a morte e numa dinâmica cristã ofereceu aos outros o que não tinha, em caridade. As pessoas vivendo muito se tornam mais fúteis e colecionadoras de quimeras e superficialidades. O filme é claro ao demonstrar as festas da alta sociedade. Will sabe que tudo isso se sustem a custa da morte de muitos e assim busca a justiça, que é seu maior crime. Venceu os donos do poder e possibilitou a vida a todos, além dos ricos. O filme é uma boa opção para quem já se encheu daqueles que já se sabe o que irá acontecer. Aqui cada segundo é perigoso, e a morte está a espreita. Uma boa opção para boas reflexões, pois o dinheiro faz o mesmo em nossa sociedade.

domingo, 15 de julho de 2012

Filme Gattaca

Filme Gattaca e o determinismo genético
         Num futuro não muito distante existe uma civilização baseada no mapa genético, no DNA e na manipulação do que são pessoas quase perfeitas. As pessoas são assim julgadas por constantes exames e pela probabilidade de terem doenças e imperfeições, o que estaria escrito em seus gens. Nesse ambiente os nascimentos são programados, e as existências fadadas a um sucesso determinado, sem contudo o efeito ser sempre o desejado. Nesse ambiente vive Vincent, que nasceu imperfeito, com miopia e expectativa de vida ede 30 anos, segundo seu mapa genético. Decepcionados, seus pais encomendam um outro filho, já assegurado pela tecnologia, o que em brincadeiras de natação sempre vencia o irmão, haja vista ser escolhido como mais forte, mais inteligente etc etc, pelo seu DNA, quando seus pais o manipularam na escolhas em geneticista.
         Mas Vincent se supera e mesmo estando condenado como inválido, já desde o nascimento, recorre a espécie de mercado negro para se passar de sósia de um homem que era perfeito, Geromi, um nadador olímpico campeão que sofreu acidente e estava em cadeira de roda, ou melhor, tentou de suicidar. Assim Vincent entra para uma espécie de NASA que era seu sonho, passando-se por esse seu amigo, ainda tendo de se raspar e cortar pelos, haja vista constantes exames em todos os lugares que passa, usando de várias fraudes com urina de seu amigo e sangue, bem como lentes de contato. Sua amiga de trabalho, Irene desconfia do colega, e assim leva um pelo seu para exame e descobre ser esse Geromi, homem perfeito pela DNA, mas que na verdade é Vincent, o homem criado apenas por Deus, não pelo cientista humano. Mas nesse determinismo todo o Vincent estava condenado a ser faxineiro e inválido, a ser preso desde o nascimento, na detenção do preconceito humano.
         O filme é um dos mais inteligente que já vi. Discorre sobre o darwinismo e sobre uma série de filosofias, sem dizer, mas que transparece a quem vê o mesmo. Também está carregado de um psicologismo e mesmo de uma lição de superação, mostrando que o humano é perfeito, apesar das aparentes imperfeições. O ponto fulcral parece quando o protagonista sai e namora com Irene, que também, é imperfeita em seu DNA (mas muito bonita e loura...), de modo que este passa por apuros ao sair com ela, e entrega o jogo, sem contudo isso mexer no amor que esta sente por ele. Aqui vemos o Super Homem de Nietzsche, bem como um complexo de poder de Adler, e mesmo a trajetória de um Édipo de Freud. Por fim a libido prova que ele já é perfeito, e os exames não podem avaliar isso, mas a prática e a prova são os verdadeiros exames. Até o médico que fazia diariamente exames em Geromi ou Vincent, acabou por descobrir a fraude e tolerar, pois este tinha um filho programado e não agradou.
         O filme demonstra um mundo bem perfeccionista e intolerante, não muito diferente de uma eugenia buscada nos anos 40. Não vejo com bons olhos essa busca, porque eu mesmo nasci já desacreditado, porque a enfermeira passou mal por semanas ao ver meu parto, e mesmo alguns diziam que eu não teria chance de sobreviver. Aqui estou, vivo e forte, ou um gênio indispensável, esse grande homem que sou, pelo menos no caráter que conheço e comprovo. Uso óculos e tenho astigmatismo, então já seria alguém rejeitado, sabe lá mais que problemas posso ter em meu DNA. Vi em documentário que uma cidade européia já está mapeada, e que as pessoas falam que têm uma 70% de ter tal coisa, outra 30% de ter tal doença e assim por diante. Isso já é realidade, não mais ficção científica. Esse mundo de Gattaca ou me condenaria, ou me diria que estou destinado a ser um filósofo, e aí sim deveria cultuar o ser que está além de mim, que é Deus e veio em Jesus Cristo, antes de mim, que sou humilde servo e iniciado. Tive minhas dificuldades de saúde, com corpo raquítico na adolescência e fobias, bem como limitações emocionais pela timidez, mas nem por isso poderia ser tido por inválido, pelo meu DNA. Por fim tanto o Vincent imperfeito quanto o perfeito Geromi na cadeira de rodas vão para o espaço (ou para o céu, paraíso etc), e vemos que a salvação está destinada a todos que a busquem, estejam estes vestidos no corpo de rei ou de mendigo.  

domingo, 8 de julho de 2012

Halloween e máscaras


HALLOWEEN E MÁSCARAS








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            Esse talvez seja um dos melhores filmes de terror, um dos mais criativos pelo menos. O menino Michael Myers é filho de uma garota de programa e sofre em casa com o padrasto, e com a irmã adolescente que traz namorado para fazer sexo em casa. Ele já desde pequeno mata e tortura animais, o que é sinal psicológico de algo não equilibrado. Cheio de um amigo que faz bullying usando a sua mãe como motivo de chacota, esse se torna a primeira vítima humana, de uma série de assassinatos que se seguem, em especial de quase toda a família, menos a mãe e a irmãzinha. O protagonista personifica o mal ou o demônio, e assim temos a dinâmica de vários títulos do dia das bruxas.












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         Após matar familiares e desafetos, o menino de 10 anos é internado e julgado, condenado a ficar em um reservatório, espécie de manicômio judicial. Vejo que muitos casos de presos são na verdade casos de internação, na vida real. E isso não significa falta de punição, pois a medida de segurança em Direito Penal é punição também. Em um dos vários filmes eles vão transferir ele quando adulto e se diz que lá se depositam os pesadelos da sociedade. E o seu psiquiatra, o Loomis acaba sempre dizendo que Michael não é humano, que é a personificação do mal. E parece, o cara leva tiro, facada, quedas e tudo mais e não sofre nada. Pudera, um cara que parece um armário e cheio de sede para matar.








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         A linguagem psicológica do filme é muito a dimensão do Eros e do Anteros, da vontade de viver e de morte, haja vista que sempre ele mata as vítimas quando estão namorando ou até em ato sexual. E nesse último, “Halloween - O Início”, aparecem agora nuas as moças, haja vista classificação de 18 anos. Vejo que a vingança do protagonista parece bem algo sexista, e parece se vingar da situação da mãe ser profissional do sexo, mãe esta que se suicida ao descobrir que o filho é um monstro. Também as máscaras são uma mania do personagem principal. E a música virou um hit de suspense, marca registrada desde o primeiro. Interessante que ainda menino ele fala pra mãe que quer ficar sempre de máscara, pois se acha feio. Vejo que eu também já tive essa ideia, uma vez que talvez chamasse mais atenção, do que com o rosto a mostra.















         No todo o ator que fazia o filme falava com as crianças que participavam e dizia ser ele, ser de mentirinha e tudo mais. E outra ideia é a do “bicho papão”, que desde sempre foi uma história contada para crianças dormirem, ou não dormirem. No Halloween 4 até a menina tem o seu tio chamado de “bicho papão”. Vejo que o final desse foi bem surpreendente, e esse vilão parece morrer mas nunca morre. Assim como aquele do Sexta-feira 13, parece que o Maligno ressuscita, na imitação do Salvador, um anticristo. Parece que a busca de destruição é com a banalização da sexualidade, e isso fica claro em todos os títulos, pois as mortes ocorrem na maioria entre adolescentes namorando. Por fim o “dia das bruxas” faz jus ao nome, apesar de ser mais um monstro quase frankenstein o seu foco principal, e um filme de terror que fez escola no cinema, com muita bilheteria nos anos 80.  








imagens de


https://blogdamands.wordpress.com/2015/10/22/especial-halloween-5-filmes-para-assistir-no-dia-31/


http://fatosapavorantes.blogspot.com.br/2014/04/annabelle-halloween-o-personagem.html


http://medob.blogspot.com.br/2012/12/curiosidades-do-filme-halloween-noite.html













quarta-feira, 16 de maio de 2012

Filme Hipnos

HIPNOS E ELOGIO DA LOUCURA

           
Essa película de produção espanhola me surpreendeu, mesmo porque usa quase sempre de recursos simples de efeitos especiais, e demonstra a dimensão da angústia humana, ainda mais quando se trata de um hospital psiquiátrico. Aqui a jovem e bela psiquiatra Beatriz Vargas começa se dirigindo com seu veículo até seu novo emprego, que é numa luxuosa e bem conceituosa clínica psiquiátrica, sendo que já no caminho quase se acidenta, denunciando assim a sua condição, depois a ser desvelada. Chegando lá, se depara com loucos trafegando pelo jardim, calmos e bem assessorados, entre eles uma menininha que presenciou morte da mãe por assassinato, e que assim traumatizada ficou muda e apenas desenhando riscos numa folha de papel. Já de cara me lembrou da obra do filósofo Erasmo de Rotterdam, “Elogio da Loucura”, onde todo um estudo é feito, e outra obra, “O Suicídio”, de Emile Durkheim, haja vista os suicídios que ocorrem. Por falar nisso, é ao presenciar a morte misteriosa de menininha que a psiquiatra Beatriz se vê num impasse entre acreditar nas suas suposições, e em acreditar na desculpa dada pelo seu chefe, homem mais que suspeito.
            Rotterdam disse que loucura é o mesmo que sabedoria, que quase todos os homens são loucos, que muitas das situações da vida se baseiam em loucura e que a própria religião entraria nessa dinâmica, e por fim que serve a felicidade. No filme, a protagonista vive mais fora de si do que em si mesma, vive tomando medicamentos e quase sempre, para a alegria masculina, vive com nenhuma indumentária, e se banhando. Seus delírios e seus trabalhos com os pacientes se misturam, e não parece uma pessoa muito feliz, a não ser quando encontra um paciente que se diz policial infiltrado e com este tenta desvendar um mistério de suicídios numerosos que ocorrem na clínica, mas este rapaz já não tem mais controle de si mesmo, como todos da clínica. Ocorre que um psiquiatra com falta de ética fez parece hipnose para manipular as pessoas internadas, e mesmo enfermeiras e outros.
            Sobre suicídio, é fato que ocorre bastante entre portadores de algum tipo de redução mental, ou de deficiência nesse sentido. E a maior proporção é de homens, sendo quase 3 para 1, com parando-se a mulheres, como demonstrou Durkheim. Vemos que fatores como a depressão e a vida sem sentido colaboram para que o sujeito ponha fim a própria existência. Segundo espíritas é o pior dos crimes, tendo punição da justiça divina mais severa que outros crimes. A psicanálise fala em Anteros, uma forma de força que impulsiona para a morte, forma de antítese a Eros, o amor personificado ou endeusado. Mas no filme a Beatriz vê o médico sugerindo a menininha que ela corte os pulsos e veja flores de sangue, etc... em clara sugestão hipnótica e espécie de programação, e assim ocorre exatamente como o mesmo a sugeriu. A menina assim faz e se joga de grande altura, aparecendo flutuando na água do jardim. Outro caso se segue, quando ao estar na beira da praia, vê um dos pacientes entrar no mar e desaparecer, e depois um enforcar-se.
            A Beatriz tem uma serie de fantasias que ao fim quem assiste o filme pensa que a mulher é estranha, mas ela parece ter em sonhos as visões. Alem de semelhante à enfermeira, se envolver sexualmente com o policial (fantasia feminina...) que lá estava internado, ao descobrir uma arma sua enterrada no jardim, fato que antes era duvidado, a psiquiatra queria agora fugir da clínica e se via com mais problemas. Pareceu-me que ela também era uma paciente todo o enredo é a forma de uma internada de ver o mundo e sonhar, mas isso seria uma interpretação muito extrema. Se o roteirista ou produtor me falassem que tudo não passava de delírios e sonhos de uma jovem internada por loucura, eu acreditaria. Fato é que o filme não perde nada para os da indústria norteamericana, e que pela bela protagonista faz do drama algo mais interessante de ser acompanhado, mesmo porque se parece um romance policial traduzido na telona. Um filme diferente e inteligente, sem fim e acontecimentos esperados, no estilo que admiro, e sem mero marketismo.    

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Filme Rocky e as pedras no caminho


FILME ROCKY E AS PEDRAS NO CAMINHO





                 

Sempre vi com outros olhos esse filme de Stallone, onde ele mesmo comenta também com não o boxe como o centro do roteiro, mas a superação de um homem em relação as suas adversidades da vida, e por isso me identifico ao personagem, que ao longo dos seus 30 anos de história apenas encontrou frustração e decepção, apesar de possuir o talento. Vejo assim o primeiro e o último título como aqueles mais centrais, e interligados, uma vez que o último volta ao primeiro, e a história de amor é o foco, de um cara que é julgado de bobo com uma moça que é julgada de tímida e também louca. Claro que o nome Rocky leva ao grande pugilista Rocky Marciano, e assim estou eu aqui a escrever, Rocky Mariano. A película se baseia na história de um homem que vive a trilha de um anti-herói, por estar sempre em cenas que revelam a penumbra e a periferia, bem como o seu ofício de menino de recados de cobradores agiotas, assim usando de sua força para cobrar as tais dívidas. Tanto que seu treinador perdeu a esperança desse boxeador, que tem a sua chance quando o campeão, Apollo Doutrinador o convida para a luta de sua vida. Finalmente a oportunidade vem, quando dos 30 anos.
         Vejo que em meus trinta anos também apenas tive pedras no caminho, tanto em ofício literário, com negativas de editoras, assim como em vida emocional, com foras, bem como na advocacia, com maus pagadores e mais outras áreas da vida. O Balboa do filme morava em uma espécie de cortiço, não despertava a atenção de ninguém e mesmo assim tinha talento, vencia nos ringues, mas em lutas que apenas garantiam sua sobrevivência, ou nem isso. Uma luta constante pela sobrevivência nos lembra a lógica darwinista, e ainda a filosofia da cientologia, onde a lei principal da vida é a sobrevivência.
         Nos comentários Stallone, aqui roteirista, fala dessa questão do rapaz que não tem muita simpatia, briguento e tudo mais. Apesar de seu roteiro original ser usado em apenas 10%, além das alterações, talvez para adicionar a história de amor, com a pura e casta irmã de seu amigo, este que trabalhava em açougue, o mesmo o apoiando nessa conquista, a conquista da força pela inteligência. Fato é que ao patinarem juntos, ela declara que sua mãe disse que por não ter corpo ela deveria buscar a inteligência, e Balboa fala que por não ter inteligência, seu pai falou para ele usar o corpo – isso resultou nas almas-gêmeas. Mas a luta maior foi a da esperança, uma vez que o protagonista já não tem esperança ou sonho, e para um atleta trinta anos já é idade avançada. Mas a exemplo de nós brasileiros, ele não desiste nunca. O amor vence, hora pelo boxe, e em outro momento pela mulher ideal a sua vida. Claro que isso em 1976, onde as pessoas pareciam mais inocentes, coisa que hoje não vemos muito. E o amor vence, uma vez que ele a chama após superar Apollo, u aguentar seus golpes.
         Já no último Rocky ele está viúvo, e apenas interessa voltar a lutar, uma vez que aposentado e dono de restaurante, não se sente realizado. Hoje também eu não me veria sem escrever, pois os livros tomaram uma importância especial, uma vez que manifesto mais sentimento que na advocacia. Balboa nesse tem filho trabalhando em grande empresa e o rejeitando, sendo que essa conquista se faz por discurso, e a fama faz mais o boxeador que seus golpes, apesar de ainda estar em grande forma. Um personagem único e insubstituível, e outro ator não pode fazer. Isso me lembrou o Mojica brasileiro com seu Zé do Caixão, que também, é insubstituível. Mas as pedras no caminho, nesse último filme são superadas e a dor das limitações físicas da idade também não são barreiras fortes o bastante para vencê-lo. A vida é uma luta, é um ringue. E nunca se é tarde para vencer, para dar bons socos e para erguer o troféu. Um orçamento baixo e uso de atores da própria família de Stallone resultaram mesmo assim em vencedor de Óscar de melhor filme, e claro que o boxe foi apenas coadjuvante nesse enredo, esta luta ensaiada como uma dança, segundo bastidores, e  onde saber cair e levantar servem de lições existenciais a todas as pessoas, mesmo aquelas que jamais vestiram uma luva de boxe.


domingo, 29 de abril de 2012

FILME “A OUTRA TERRA” E IMPASSES EXISTENCIAIS



           
Marling, moça bela e jovem, bem como de futuro promissor por sua inteligência,  estudante de astrofísica, estava numa festa bebendo com amigos, de tal modo que foi embora com seu carro e ao dirigir ouviu pelo rádio que astrônomos haviam descoberto um novo planeta, semelhante a Terra, e assim ficou olhando ao céu, enquanto estava ao volante. Assim, na distração acabou por colidir com outro veículo, onde toda uma família estava, e de tal feita vindo a matar os seus ocupantes, menos o pai de família, John, que sobreviveu mas ficou com a vida destruída, morando sozinho e tomando remédios, bem como bebidas alcoólicas, além de estar sem seu emprego. A adolescente foi ara a prisão por 4 anos (isso que é justiça...), e ao sair foi buscada pela família, sendo que estava também com o impasse existencial de não mais estudar e ser astronauta, tendo em seu quarto maquetes de planetas e fotos de telescópios espaciais, bem como envolta no assunto do momento: a “Outra Terra”, que haviam descoberto haver vida, e pessoas idênticas a nós, ou nós mesmos.
            Outrossim, em Marling não havia mais a existência feliz, e ela buscava saber quem era o sobrevivente do acidente, procurando antes um emprego, e sendo faxineira, uma vez que não queria contato com as pessoas, queria sim ficar sozinha. Tentou assim se suicidar deitando seu belo corpo e cabelos dourados sobre a pálida neve, sem sucesso, uma vez que foi salva. Ela se via em um impasse existencial porque sua vida não fazia sentido, não tinha mais os amigos, nem o seu sonho de viajar ao espaço, apesar de tentar participar de uma viagem a outra Terra, em um concurso de redação. Isso lembra a minha pessoa, pois a única coisa que ganhei em concursos de redação foram livros, e isso me identificou a personagem. Mas ela tinha em seu trabalho um senhor amigo, parecendo um índio e cego, e disse que ele “se via em todos os lugares”, assim lhe ensinando os saberes de uma outra ótica. Lembra Sartre: “o outro é o inferno” e lembra Nietzsche, onde a massa se torna espécie de “moral de rebanho”, logo não boa ao super homem. E toda hora no filme vem uma voz em off comentando a situação do outro mundo, onde existem outras pessoas iguais a nós, comparando a outro eu que está em nosso interior, com o qual conversamos todo o dia sem perceber.
            Mas que outro eu? Pensei de pronto já no Ego de Freud, bem como em alter ego, superego e assim por diante. Esse outro eu sempre está conosco, nos julgando, conversando quando falamos sozinhos, quando pensamos conosco mesmos. Outros eus dentro de nós, mas no mínimo um outro eu, uma outra Terra, onde moramos todos nós, onde temos uma vida paralela, mais feliz, mais próspera, ou pelo menos com outras possibilidades. No filme, esse planeta desponta no céu desfilando o seu azul, a todo o momento despertando as pessoas que querem o conhecer, quando não analisam filosoficamente seu próprio eu, sua ontologia, nesse impasse existencial. Nos leva a pensar na busca da ciência, pelo mundo exterior ao homem, com suas viagens espaciais, e na busca filosófica, que foi dentro do homem, em sua alma.
            Mas a moça arrependida foi a casa de John, trabalhar como faxineira e descobre ainda alegria, em meio a tanta decepção e esse drama que vive. Alguns dias são bem estressantes e caóticos, mas no momento que ambos jogam vídeo game e sorriem, eis que corações se revelam mais leves, e que apesar da diferença de idade, e das perdas dele, a música começa a retornar a sua vida, em partitura de maior vitalidade. Nesse passo, após ele mostrar as habilidades de tocar um cerrote como se fosse um violino, imitando voz de soprano de ópera, os dois caem em abraços e beijos calorosos e apaixonados, apesar de após o ato de amor, ele falar em ex esposa e do acidente. A Marling assim vai ao banheiro vomitar, pois fez amor com o homem que ao mesmo tempo arruinou a vida, e pegou seu trem. Por outro lado, antes ela estava também feliz por descobrir que ia viajar a outra Terra, e realizar seu sonho de astronauta. Sua existência se vê novamente questionada e ela oferece o ingresso a John, este briga e quase a mata, ao descobrir que foi ela que ocasionou o acidente, e entre o amor e o ódio, ele opta pela indiferença, apesar de aceitar silenciosamente o ingresso oferecido por ela, treinando e viajando para o outro mundo, onde o tempo está atrasado 4 anos e alguns meses, época anterior a morte de sua esposa e filho, assim podendo os reencontrar.
            A Outra Terra guarda um outro Eu e assim temos solucionado ambos os problemas existenciais, o dela, por restaurar seu crime, e o dele, por rever seus familiares. O filme assim reserva alguma lição, apesar de ser meio triste, e um drama legítimo. No final ela encontra seu outro eu, como em um espelho, ao andar próximo a garagem de sua casa, confirmando o que eu disse sobre o alter ego, e a possibilidade existencial que guardamos oculta em nosso inconsciente, e por consequência, a felicidade. Enfim, um outro mundo existe, de qualquer modo.


sexta-feira, 20 de abril de 2012

filme exorcismus


EXORCISMUS – MAIS UM RELATO DE HISTERIA


Vamos mais uma vez falar em filmes que interessariam a parapsicologia.Vemos nessa produção de Manuel Carballo, uma obra original e independe do clichê que se formou em filmes do gênero, após o primeiro, dos anos 70. Aqui a trama se desenrola à luz do dia e a moça não é mais uma criança, mas uma adolescente. O roteiro faz bons jogos dessa fase da vida e de sua crise existencial, bem como a rotina da família pós-moderna burguesa se vê em choque com a vida rebelde da Emma, que sai com amigos e experimenta drogas e outras aventuras. Isso talvez seja a possessão, esse desejo inexplicável pelo proibido, que afeta tantos adolescentes, revelando sua porção semi-instintiva a que Freud chamou de Id e que a neurociência chama de complexo reptiliano do cérebro. O Demônio tem boa morada e manifestação quando se usa mais esse “cérebro” primitivo, reptiliano.
Gostei dos bastidores, onde os “latinos” da produção falam das técnicas de filmagens, maquiagem e a atriz se desdobra para fazer o papel, Sophie Vavasseur, tendo de usar grandes lentes brancas de contato, ou coisas nos olhos, além de rosnar de forma desenfreada. Os efeitos especiais foram reduzidos, e muito foi feito mecanicamente, com cordas, marteladas, baratas... É um filme especialmente assustados às mulheres, e a tática da barata foi inteligente (e não convide namorada ou esposa para ver o filme...). A atriz convence e no mínimo é modificada, sendo sua voz mesma e uma boa representação do papel, que teríamos de volta a Idade Média para presenciar em sua totalidade. A Igreja Católica hoje condena exorcismos, porque se estuda a parapsicologia e se tem maior conhecimento científico, e são pessoas antes que devem ser tratadas, que exorcizadas. No filme fica clara uma epilepcia acompanhada de histeria, ou semelhante a nome de livro de Freud, uma “neurose demoníaca”.
O interessante do filme que é bem sutil a manifestação, e o filme não exagera,comparando a outros, sem fantasmas, sem muitas coisas inexplicáveis, a não ser a levitação (psicocinese?) e a personalidade falando num tom estranho de voz (inconsciente e pantomnésia?), e no mais a paranormalidade não ocorreu muito, a não ser morte estranha de psicólogo, além de uma leitura de pensamento (hiperestesia? telepatia?) da moça ao falar que amiga é lésbica (o devia ser verdade pela raiva despertada...). Por coincidência, ao ligar TV em programa “Mulheres”, esses dias estava o padre Quevedo analisando um exorcismo de vídeo de Internet, balançando a cabeça de indignação. Simplesmente falou para que procurassem tratamento e que Demônio não existe pela ciência, mera invenção religiosa. Os fenômenos paranormais explicados por telergia, uma energia que se exterioriza por ectoplasma.
Já por espiritismo, ocultismo e outras vertentes, vemos que se tratava de um espírito entristecido, mistificador, um cascão astral ou mesmo uma egrégora criada por mentes pervertidas, que se manifesta para vampirizar a pobre adolescente e assustar os presentes com seus poderes físicos ou de efeitos físicos. Demônios poderiam ser, apesar de que o ritual que a moça fez não parecia de goécia (o circulo mágico não era com serpente...), e nem ela teria habilidade e conhecimento oculto para tal. No mais, poderia ser um ataque astral de um feiticeiro, e muitas outras situações, fosse algo na vida real. Filmes claro que exageram e refletem algum conhecimento, e o padre charlatão foi ao fim desmascarado pela própria moça, apesar de que ela perdeu tudo até isso ocorrer. O filme é muito bom, mas para quem já conhece o gênero, é um complemento, não sendo referência. O belo trabalho da produção latina leva destaque e os efeitos físicos põem mais medo que de mera computação gráfica. Vale a pena para quem gosta de boa representação, uma vez que a atriz dá um show de rugidos e contorções. No mais, parece mais histeria, não nos levando além de uma cura que pela hipnose e grupo de parapsicólogos resolveria.